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Saturday, February 12, 2022

Hitler e o milagre econômico alemão

https://elcasopedrovarela.wordpress.com/2021/12/21/hitler-y-el-milagro-economico-aleman-segunda-parte/

Hitler realizou o que são chamados de "milagres" durante a era nacional-socialista: ele criou o Estado do povo, garantiu o pleno emprego e deu riqueza a todos. O mundo prendeu a respiração, a guerra tinha que vir para destruir esse desrespeito ao mundo financeiro global.  A expressão "milagre econômico" foi cunhada então e não depois da guerra e aconteceu porque os banqueiros internacionais não foram mais servidos, mas o povo, e porque o país ficou livre da corrupção. Além disso, não havia filiação partidária, mas as melhores ações iam para os lugares certos, para benefício do povo e desespero de Wall Street.

Quando o presidente do Reich, Paul von Hindenburg, depois de vários gabinetes governamentais autoritários, voltou ao costume constitucional em 30 de janeiro de 1933 de nomear o vencedor das eleições como chanceler do Reich, a Alemanha estava em frangalhos.  As pessoas estavam à beira do colapso, havia cerca de 13,5 milhões de desempregados e trabalhadores temporários, a economia estava à beira da dissolução, a agricultura estava à beira do colapso, o comércio estava estagnado e o transporte marítimo estava parado. No período de tempo surpreendentemente curto até 1935, o problema do desemprego foi superado e houve quase pleno emprego. O chamado democrata Roosevelt, que também chegou ao poder em 1933, não conseguiu nada comparável, nem remotamente, apesar das condições consideravelmente melhores. A economia dos EUA só cresceu após a política de guerra de Roosevelt de 1941.

Os gastos alemães em armamentos só se expandiram timidamente em 1935 como resultado da recusa da Liga das Nações em cumprir sua obrigação assinada no ditame de Versalhes.  Em contraste, em apenas seis anos de reconstrução pacífica, de 1933 a 1938, a Alemanha criou um estado de bem-estar social que o mundo invejava e invejava.  A ideia básica era que a economia era para as pessoas e o capital para a economia. Hoje acontece o contrário: as pessoas (incluindo os imigrantes estrangeiros) estão lá para a economia e a economia está lá para o capital.

Há uma diferença entre as categorias 'capital' e 'economia'. Essa diferença foi desenvolvida pelo Volksgeist (espírito nacional alemão). O neto do rabino, Karl Marx, foi instruído pela Alliance Israélite Universelle em Paris, liderada por Isaak Adolphe Crémieux (pertencente à primeira Federação Judaica Mundial, por assim dizer) a obscurecer essa distinção para incitar os trabalhadores contra as empresas que viviam a emprestar dinheiro.  Marx esconde o fato de que o empresário tem que pedir dinheiro emprestado ao banco como crédito, sob juros. O «capitalista» não é, portanto, o empregador que assegura o sustento do trabalhador através de um emprego, mas o «Bangster» que lhe empresta dinheiro que se limita a utilizar o capital a emprestar concedendo crédito (capital cujo valor não se dá pela existência de reservas que o sustentam, mas pela confiança que inspira em seu emissor).  Aqui os conceitos diferem entre a concepção econômica da época na Alemanha e o bolchevismo.  O funcionário da Siemens, por exemplo, não foi explorado pela Siemens, mas por Rothschild.  Caso contrário, a empresa Siemens não teria durado até hoje. Hoje, na Alemanha subjugada pelo globalismo, seu sustento seria destruído porque a Siemens agora produz em todo o mundo, mas não em Berlim.

O ganho de capital financeiro internacional organizado por meio de empréstimos de dinheiro foi aplicado em todo o mundo com a ajuda do padrão-ouro das moedas da época.  As transações comerciais com outros estados só podiam ser financiadas com a renúncia ao ouro ou empréstimos a juros.  A Alemanha se retirou dessa ditadura financeira depois de 1933, com o resultado de que apenas transações de troca, ou seja, mercadorias por mercadorias, eram possíveis no comércio internacional.  Por exemplo, locomotivas alemãs por carne argentina.  Os créditos comerciais não eram mais necessários para isso.  Com isso, e também com a eliminação da dívida nacional, perdeu-se o capital de crédito na forma de apropriações privadas de milhares e milhares de milhões de juros.  O "capital criativo" triunfou na Alemanha.  É por isso que a Alemanha foi declarada guerra em 3 de setembro de 1939 pela Inglaterra e em 4 de setembro de 1939 pela França em nome da "Capital Raffender".

Em um princípio semelhante, o comércio entre a China e a Turquia ocorrerá em breve com a exclusão do dólar americano, a moeda-chave para a globalização.  Merkel recentemente recebeu uma rejeição dos socialistas chineses quando tentou convencê-los a entregar sua moeda nacional aos plutocratas de Wall Street.  O Reich alemão também foi inflexível quanto à independência da moeda interna alemã na época do padrão-ouro.  Porque na Alemanha havia prevalecido uma visão econômica completamente diferente, na qual o ouro não representava de forma alguma um fator de valor. A política econômica alemã reconhecia que apenas o trabalho cria valor, não o ouro.  O ouro da Alemanha era o trabalho e com esse "ouro" a Alemanha livre derrotou todas as nações do mundo.  O povo alemão desde então associava a economia apenas ao termo trabalho.  Assim, em última análise, a competência e habilidade do trabalhador, engenheiros, líderes empresariais e organizadores econômicos alemães garantiram a moeda estatal interna do povo alemão: o Reichsmark.

Damos aos bancos o privilégio de imprimir dinheiro para emprestar e cobrar juros.  Somos tão estúpidos?

O instrumento de política financeira para criar dinheiro para impulsionar a atividade econômica de acordo com o princípio político “trabalho é dinheiro valor” se tornaram os títulos do Mefo*. (Metallforschungsges. Mb H.) contribuindo com a quantia de 5,5 bilhões de marcos, como complemento à quantidade de dinheiro em circulação.  Até 1933, vigorava a estipulação estranguladora do ditame de Versalhes, limitando a quantidade de dinheiro em circulação a 4,5 bilhões.  Essas letras de câmbio eram cobertas principalmente por grandes indústrias alemãs como Siemens, AEG, Krupp, Thyssen, etc., de modo que seus ativos industriais representavam a segurança desse dinheiro recém-criado.  Isso possibilitou a criação de dinheiro no valor de 10 bilhões de marcos, que era um dos requisitos para estimular a economia como meio de troca trabalho por trabalho.  A partir de então, poderiam ser aceitos contratos para a construção de prédios, áreas residenciais, estradas e modernização da agricultura. Não nos deixemos enganar pela propaganda de que o armamento na Alemanha expulsou os desempregados das ruas. MENTIRA! Atualmente, bilhões e bilhões são investidos em armamentos na RFA, inclusive para armas de ataque nuclear, que são (parcialmente) doadas a estados em zonas de guerra e crise; mas não há impulso econômico ou pleno emprego.

No projeto econômico, as forças motrizes da livre iniciativa com suas idéias inovadoras e outros trabalhos intelectuais foram usados em benefício da economia alemã.  O novo estado se opôs a todo igualitarismo. Quando alguém prestava um serviço excepcional à comunidade, era recompensado financeiramente.  No entanto, lucros e dividendos eram limitados como um elemento socialista da política.  Por exemplo, os lucros da indústria de armas, que em países democráticos recebiam entre 70 e 160% do capital investido em dividendos, eram tolerados no máximo 6% na Alemanha. Desses 6%, metade teve que ser pago à comunidade na forma de impostos. Mas o grande industrial não podia dispor livremente da fortuna auferida pelo povo, nem mesmo de sua outra metade.  Esperava-se que o industrial (as pessoas) pessoalmente o reinvestisse de forma sensata para a comunidade nacional alemã.

Os honorários dos membros do conselho fiscal também foram tratados de forma correspondentemente restritiva. Os deputados do Reichstag foram autorizados, ao contrário dos dias da "República de Weimar", a não ocupar cargos administrativos, a menos que estivessem completamente isentos do cargo.  Com o suborno dos membros do conselho supervisor, o sistema econômico do nacional-socialismo estava acabado.

*Os títulos Mefo foram concebidos pelo então presidente do Reichsbank Hjalmar Schacht, e começaram a ser emitidos em julho de 1933 com um capital inicial de um milhão de Reichsmarks. Esses títulos foram usados principalmente para cobrir os empréstimos feitos pelo Terceiro Reich para financiar seu programa de rearmamento; embora também servissem para criar empregos.

Friday, July 12, 2019

Como os nazistas destruíram o primeiro movimento de direitos gays


Bem recentemente, o gabinete alemão aprovou um projeto de lei que eliminará as acusações de milhares de alemães por “atos homossexuais” sob a lei anti-gay conhecida como “Parágrafo 175.”  Essa lei data de 1871, quando o primeiro código legal alemão foi criado.

Foi revogada em1994.  Mas houve um sério movimento para revogar a lei em 1929 como parte de um amplo movimento de direitos LGBTQ.  Isso foi justamente antes dos nazistas chegarem ao poder e ampliarem a lei anti-gay, e assim procurar aniquilar os europeus gays e transgêneros.

A história de quão íntimo a Alemanha – e muito da Europa – veio a liberar sua gente LGBTQ antes de reverter violentamente essa tendência sob novos regimes autoritários é um objeto de lição para demonstrar que a história dos direitos LGBTQ não tem registro de um progresso constante.

O primeiro movimento de liberação LGBTQ

Nos anos de 1920, Berlim tinha aproximadamente 100 bares ou cafés para gays e lésbicas.  Viena tinha uma dúzia de cafés gays, clubes e livrarias.  Em Paris, certas regiões eram famosas pelas exposições abertas da vida noturna gay e trans.  Até Florença, Itália, tinha seu próprio distrito gay, como fizeram muito menores cidades europeias.

Filmes começaram a retratar caracteres gays como simpáticos.  Protestos eram organizados contra ofensivas representações dos LGBTQ à venda ou em cena.  E empresários da mídia perceberam que havia uma classe média gay e público leitor trans a quem eles poderiam abastecer.

Parcialmente conduzindo essa nova era de tolerância estavam os doutores e cientistas que começavam a olhar o homossexualismo e “travestismo” (uma palavra daquela era que abrangia as pessoas transgêneras) como uma característica natural com a qual alguns nasciam, e não um “desarranjo”.  A história de Lili Elbe e a primeira moderna mudança de sexo, tornou-se famosa no recente filme “A Garota Dinamarquesa” refletia esses padrões.

Por exemplo, Berlim abriu seu Instituto para Pesquisa Sexual em 1919, local onde o termo “transsexual” foi cunhado, e onde as pessoas podiam receber aconselhamento e outros serviços.  Seu doutor principal, Magnus Hirschfeld, também consultou a mudança de sexo de Lili Elbe.

Conectado a esse instituto estava uma organização chamada o “Comitê Científico-Humanitário.”  Com o lema “justice através da ciência”, esse grupo de cientistas e pessoas LGBTQ promoviam direitos iguais, argumentando que as pessoas LGBTQ não eram aberrações da natureza.

A maioria das capitais européias recebeu um ramo do grupo, que patrocinava conversações e procurava revogação do “Parágrafo 175” da Alemanha.  Combinando com outros grupos liberais e políticos, sucedeu-se em influenciar um comitê parlamentar Alemão a recomendar a revogação ao futuro governo em 1929.

A reação

Enquanto esses desenvolvimentos não significariam o fim de séculos de intolerância, os anos de 1920 e começo de 30 certamente pareciam o início do fim.  Por outro lado, a maior “saída do armário” de gays e trans provocavam seus oponentes.

Um repórter francês, expressou pesar ao perceber à abertura do povo LGBTQ em público, queixando-se: “a doença contagiosa ... está corrompendo toda a redondeza.”.  A polícia de Berlim lamentou que revistas miravam homens gays – que eles chamavam de “material obsceno da imprensa” – estavam proliferando.  Em Viena, palestras do “Comitê Humanitário Científico” poderia ser abarrotado de apoiadores, mas um foi atacado por um jovem arremessando bombas fedorentas.  Um vereador parisiense em 1933 chamou-a de “uma crise moral” que os gays, conhecidos como “invertidos” a todo tempo, poderiam ser vistos em público.

“Longe de mim querer voltar ao fascismo”, disse o vereador, “mas nós temos que concordar com algumas coisas que aqueles regimes tem feito às vezes de bom … Um dia Hitler e Mussolini despertaram e disseram: ‘Honestamente, o escândalo foi longe demais’ … E … os invertidos … foram expulsos da Alemanha e da Itália no dia seguinte.”

A ascensão do Fascismo

Nos anos 30, a Depressão espalhava ansiedade econômica, enquanto lutas políticas em parlamentos europeus tendiam a derramar-se em lutas de rua entre direita e esquerda.  Partidos fascistas ofereciam aos Europeus uma escolha de estabilidade ao preço da democracia.  Tolerância de minorias estava desestabilizando, disseram.  Expandir liberdades dava aos indesejáveis a liberdade para minar e ameaçar a cultura moral tradicional.  Gays e trans eram um alvo óbvio.

Um dia em Maio de 1933, estudantes com saias brancas marchavam em frente ao Instituto de Pesquisa Sexual de Berlim – aquele porto-seguro para os LGBTQ – chamando-o de “Não-Alemão.”  Posteriormente, uma multidão rebocou sua livraria e a queimou.  Ainda depois, seu principal agente foi preso.

Quando o líder nazista Adolf Hitler precisou justificar a prisão e assassinato de ex-aliados políticos em 1934, ele disse que eles eram gays.  Isso ventilou um fanatismo anti-gay pela Gestapo, que abriu um ramo especial anti-gay.  Durante o ano seguinte somente, a Gestapo prendeu mais de 8.500 gays, muito provavelmente usando uma lista de nomes e endereços relacionados ao Instituto de Pesquisa Sexual.  Não somente o Parágrafo 175 não foi apagado, como um comitê parlamentar recomendou justamente uns poucos anos antes que fosse emendado para ser mais expansivo e punitivo.

À medida que a Gestapo se expandia por toda a Europa, expandia a caça.  Em Viena, todo homem gay era rebocado para as listas da polícia e eram questionados, tentando obter-lhes o nome de outros.  O sortudo ia pra prisão.  Os menos sortudos iam para Buchenwald e Dachau.  Na França conquistada, a polícia da Alsácia trabalhou com a Gestapo para prender pelo menos 200 homens e enviou-os para campos de concentração.  A Itália, com um regime fascista obcecado pela virilidade, enviou pelo menos 300 gays para campos brutais durante o período de guerra, declarando-os “perigosos para a integridade da raça.”

O número total de Europeus presos por serem LGBTQ sob o fascism é impossível de ser conhecido por causa da falta de registros confiáveis.  Mas uma estimativa conservadora é que houve dezenas de milhares a cem mil prisões somente durante o período de guerra.

Sob essas condições, bem mais LGBTQ na Europa cuidadosamente ocultavam sua sexualidade genuína para evitar suspeita, casando com membros do sexo oposto, por exemplo.  Demais a mais, se eles eram membros importantes da comunidade gay e trans antes dos fascistas chegarem ao poder, como era o caso da lésbica dona de clube de Berlim Lotte Hahm, era tarde demais para se ocultar.  Ela foi enviada a um campo de concentração.

Naqueles campos, gays eram marcados com um triângulo rosa.  Nesses lugares, homens com triângulos rosa eram escolhidos a dedo para particular abuso.  Um gay atribuiu sua sobrevivência a barganhar seu triângulo rosa por um vermelho – indicando que ele era simplesmente um Comunista.  Eles eram ostracizados e atormentados pelos seus colegas internos, também.

Em 1929, a Alemanha chegou perto de acabar com sua lei anti-gay, somente vendo-a fortalecida pouco depois.  Somente agora, depois de 88 anos, as condenações sob a lei estão sendo anuladas.

Friday, September 12, 2014

Lobby judeu demite professor de escola no Rio


Um professor de geografia foi demitido do colégio Andrews, no Rio de Janeiro, após aplicar uma prova para a 8ª série onde fez uma comparação entre judeus e nazistas.

"Conforme é sabido, os judeus foram perseguidos por Hitler durante o nazismo. Atualmente um determinado povo é tido como vítima dos israelenses, tendo que viver em assentamentos isolados controlados por Israel. Chegaram invadindo, tomando terras e assassinando... Quem será pior?  Nazistas ou judeus?", diz o enunciado da questão.

Há ainda uma charge de um soldado com uma suástica à esquerda e, do outro lado, um soldado com a bandeira de Israel.

Segundo Pedro Flexa Ribeiro, diretor da instituição, o episódio é "lamentável" e "fere o projeto educativo e a identidade da escola".

"Buscamos desde o começo um ambiente escolar plural, democrático, voltado para ensinar o convívio e sempre tivemos entre nossos alunos muitas crianças filhas de famílias judaicas", disse.

Ribeiro confirmou o desligamento do professor e afirmou que uma equipe do colégio conversou com alunos. "Nós vamos agora estudar estratégias que possam de alguma forma reparar o dano."


Wednesday, June 04, 2014

Entendendo os "fascismos" enquanto fenômeno histórico

O QUE É FASCISMO?




"Quem dissesse ao rio, se o rio tivesse personalidade, que o primeiro grão de areia por ele próprio depositado numa de suas voltas iria ser o começo dum banco ou coroa que um dia lhe impedirá a passagem, obrigando-o até a procurar novo leito, passaria por visionário. Quem dissesse ao nemrodismo judaico que dos povos lentamente preparados por ele brotaria uma idéia nova e salvadora, teria passado há três lustros como um pobre maluco. O plano dos verídicos Protocolos dos Sábios de Sião tocava a sua meta. Tudo se negara: virtude, fé, consciência. Tudo se vendera: opinião, inteligência, honra. Tudo se aniquilara: Família, Pátria, Deus. O comunismo caminhara, ora com pés de lã, ora com sapatos de ferro, pela face do planeta. Era quase dono da Itália. Tinha milhões de adeptos organizados na Alemanha. Enchia a França. Infiltrara-se por toda a parte. Esperavam-se os triunfos de seus famosos putschs técnicos em países que se apontavam a dedo. Foi quando a figura de Mussolini se projetou no vasto campo da História. Vestia uma camisa preta, desenterrara do entulho dos séculos o feixe dos litores antigos, falava duma coisa chamada fascismo, que parecia vaga e incompreensível ao mundo, e tonitruava discursos inflamados. A Humanidade aburguesada e cética esqueceu por um momento as cocaínas morais e sociais com que vinha se envenenando sob o olhar dulçuroso do judeu internacional, olhou o fenômeno e somente fez este comentário: - Que cabotino! Incapaz de uma visão totalitária, unicamente viu um dos aspectos exteriores e cenográficos da grande individualidade que se alevantava do seio da mediocridade geral. O aspecto menos significativo. Tudo o mais lhe escapou.

Aquele homem ergueu o braço, como seus antepassados latinos. Centenas de milhares de braços jovens se ergueram com o dele. E a este gesto enérgico e imperioso o comunismo parou. Desde esse dia, nunca mais deu um passo no mundo, nunca mais fez uma conquista, não tomou conta de país algum, vendo por terra todas as suas tentativas no Chile, na Espanha, na própria China.

De onde vinham o homem, a doutrina, o gesto? Do fundo da alma da sociedade ameaçada, do misterioso metabolismo do corpo social, do subconsciente da Humanidade. [...] O rio vermelho que corria de Moscou ameaçando alagar o mundo ia ser desviado por uma coroa produzida pelo aluvião dos centenários. Os judeus estavam certos de lhe haverem preparado berço esplêndido. Enganaram-se redondamente. Desde algum tempo, os grãos de areia pouco a pouco se ajuntavam.

O arrasamento de todos os cânones espirituais levara os homens de novo ao espiritualismo, porque os extremos se tocam. Os estudos neotomistas haviam mostrado a grandeza da civilização cristã coberta pela poeira voltaireana das negações e invencionices. Os olhos começaram a se abrir para as verdades incontáveis. Na França, Charles Maurras e seu grupo de lutadores reivindicavam a defesa das velhas coisas traídas e vilipendiadas. Em Portugal, o grande Antônio Sardinha e seus notáveis companheiros de pregação mostravam a necessidade da volta à tradição nacional, ao sentido heróico da vida cristã, ao espírito de sacrifício, ao Integralismo contrário aos parcialismos dissolventes. Em todos os pensadores e publicistas desse período, cuja maioria passou despercebida a seus próprios contemporâneos no meio do bruhahá da intensa vida gozadora e material das modernas babilônias, se sente uma unidade fundamental de pensamentos, embora sobre ela se articulem sistemas e organismos diversos, acordes com a realidade de cada país e o gênio étnico de cada povo. O século XVIII com seus filósofos, neo-filantropos, ateus e humanistas não tem mais a menor influência sobre esses novos espíritos, claros e linheiros como espadas, cuja flexibilidade só se sente no esgrimir das polêmicas e cujo retinir só se ouve quando tapezapêam na luta.

Que querem esses homens novos, que parecem velhos, porque se radicam fundamentalmente no passado; que parecem velhos aos envelhecidos e envilecidos burgueses que se julgam modernos, porque são anti-morais e anti-tradicionais; esses homens arautos de novos tempos, cuja voz o chamado rumor do progresso quase abafou de modo a que só fosse ouvida pelos que lhes ficavam próximos? Que querem? Coisas velhas e sábias para a Humanidade consciente, coisas novas e loucas para uma humanidade em completo delírio, atuada no seu transe pelo espírito diabólico do judaísmo.

Querem a disciplina da dedicação e do sacrifício; querem uma educação cristã que garanta, tanto quanto possível, a invulnerabilidade da vida e da alma; querem que se passe da negação do dever por temor ao espírito do dever por amor; querem que não se confundam mais, para os espertos se aproveitarem disso, legitimidade e legalidade; querem destruir os formalismos do direito vindo da Loba opressora; querem a primazia espiritual, a família, a tradição, a propriedade moralizada, a responsabilidade, a compensação social dos direitos pelos deveres e encargos; querem a aglomeração orgânica das faculdades e atividades, tanto espirituais como produtoras, das nações; querem uma consciência nacional norteando os povos ao invés de conchavos políticos interesseiros e desmoralizadores; querem os trabalhadores associados cooperativamente na defesa de seus interesses e não os eleitoralismos seguidos de esnobismos, fraudes e falatórios ocos; querem a profissão organizada, a moralidade na governação de Estados, a unidade de coração e de pensamento na vida nacional com a extinção dos partidos; querem a harmonia social substituindo a luta de classes; querem, enfim, ordem econômica, ordem política e ordem social; isto é, ordem integral. Para isso, estudam, escrevem, pregam, enquanto os imbecis sorriem, os indiferentes não dão um passo, e os gozadores se divertem. Eles sabem que suas idéias germinarão com o adubo desses sorrisos amarelos e com o estrume dessas indiferenças, que seus sucessores as levarão por diante e que alguns deles um dia as porão em prática, apoderando-se do Estado político para renovar o Estado social. Eles estão convencidos que a Humanidade tem levado a vida inteira a zombar dos sonhadores e idealistas para, depois, realizar todas as idéias desses sonhadores e desses idealistas. Anatole France, o mais glacial dos céticos modernos, verificou e confessou essa verdade.

É um poeta quem planta a abençoada semente. Ao apoderar-se num reide audacioso do território do Fiume, proclamando a Regência de Carnaro, Gabriel d’Annunzio teve de organizá-la. Veio-lhe a idéia do antigo Estado totalitário cristão da Idade Média, e ele pensou nas velhas e veneráveis corporações de ofício, publicando sua "Carta del Lavoro", maravilhoso documento em que, pela primeira vez, oficialmente, um governo reconhecia o VALOR MORAL do trabalho acima de seu valor econômico. Foi o anúncio da revolução econômica do século XX, a volta às verdades da economia moral e a morte de todas as mentiras da economia naturalista.

Quando na Itália agitada pelo comunismo, presa já da anarquia rubra, as legiões de camisas-negras de Benito Mussolini marcaram com seu passo cadenciado a marcha da primeira reconquista cristã dum povo ocidental, o espírito dannunziano da "Carta del Lavoro" agitou os vexilos e lábaros das manípulas fascistas. A marcha sobre Roma há de estrondar eternamente nos séculos como o caminhar das forças do Espírito contra as muralhas da Matéria. Deus dirige os destinos dos povos. Mussolini foi a Joana d’Arc desse momento histórico. Justamente por ter sido a primeira reação, a reação de emergência, a reação apressada, a doutrina do fascismo italiano ficou a menos completa e a menos espiritual de todas. Teve de ir completando-se na luta, organizando-se pari-passu com as vitórias obtidas consecutivamente, pouco a pouco se adaptando às realidades espirituais da Itália. Seu símbolo reflete isso. É a reunião das varas num feixe sobre a proteção do machado. O que estava disperso, feito em miúdos pedaços, foi reunido e amarrado às pressas, no afã duma como defesa aproximada, segundo se diz em linguagem militar, sob a égide de um Estado ditatorial. Porém a glória do fascismo de Mussolini jamais se apagará. Num mundo desorganizado e desvirilizado, avelhantado e entorpecido, ele criou uma mística fervorosa, ele despertou o entusiasmo e ele proclamou a morte do liberalismo burguês naquele dia que, da tribuna da Câmara dos Deputados, pronunciou o famoso discurso do qual cada palavra vale por uma chicotada nas faces que haviam perdido a força de coroar: - "Eu poderia fazer desta sala surda e triste o bivaque dos meus milicianos, mas não o faço porque não quero, e não quero porque ainda não é oportuno..." Nunca, nem quando os granadeiros de Lefevre expulsaram a coice de arma os Quinhentos da sala onde vociferavam, nem quando um cabo de marinheiros, bocejando, mandou fechar as portas da Duma de Kerensky; nunca uma assembléia liberal e parlapatona foi tratada dessa maneira. Porque, além da força e do desprezo, Mussolini demonstrou a vacuidade daquele órgão dos poderes públicos anárquicos: fechá-lo-ia, se quisesse, quando quisesse...

Em presença do Senado, só porque seu nome traduzia a lembrança de um passado glorioso, sua atitude foi outra. Curvou-se reverente e repetiu a invocação latina: - "Pais Conscritos!" É que os fascistas tem de se apoiar forçosamente nas mais antigas tradições para poderem se apoiar nas almas dos povos. Em tudo, tanto Mussolini como Adolf Hitler, que conduziu à vitória o segundo movimento fascista do mundo, aprofundam as mais remotas origens de suas gentes, exaltando de todos os modos a idéia de um passado superior, para sobre essa base construir o futuro. É nas tradições celtas que vamos encontrar tanto a acha das armas, o machado, do fascio, como a suástica, a cruz-gamada, do nacional-socialismo germânico. Ambos os signos provém do vetusto simbolismo celta. Sua origem é boreal, é nórdica, como provam os documentos arqueológicos da Europa neolítica, diante dos quais a pretensa origem asiática da cruz gamada não pôde continuar de pé. E, como aparece na Índia, se vê que para lá foi levada pelos celtas conquistadores.

Sem o apelo da tradição, é impossível reformar a moral dos povos. A tradição é o ensinamento, a experiência, a solidariedade, o exemplo. O Estado Total, que fusiona Estado e Sociedade, de Carlos Schmitt, que o propunha em 1931 à Alemanha ainda à espera do triunfo hitlerista, estende no passado suas raízes como uma árvore as aprofunda no ubertoso seio da terra. Os antigos chamavam à tradição "culto dos antepassados". Esse culto é o único capaz de manter coesas as sociedades. Por isso o judeu o conserva ciosamente em si, mas procura destruí-lo nos outros. Quando a lição tiver aproveitado aos povos cristãos e eles se apoiarem nesse culto, o judaísmo perderá noventa por cento de sua força destruidora. [...]

A Itália fascista apoiou-se na tradição história do Império Romano. Foi a primeira rocha que achou no aluvião liberal para plantar a primeira estaca do novo edifício social. Na Alemanha liquefeita pelo liberalismo aliado à saturação judaica, o movimento de Hitler teve de buscar um apoio ainda mais profundo que a simples tradição jurídica e política. E este foi a Raça. O racismo corresponde a uma realidade alemã do mesmo modo que o romanismo imperial corresponde a uma realidade italiana. Além disso, a Itália está com quase todas as populações verdadeiramente italianas sobre a sua bandeira. A Alemanha não. Há alemães no corredor de Danzig, na Tchecoslováquia, na Polônia, na Áustria, fora dos limites do Reich; havia alemães no Sarre. Se o nacional-socialismo se limitasse à tradição duma Alemanha política e histórica, estaria errado. Para estar certo, para corresponder exatamente à realidade, ele é obrigado a basear-se numa Alemanha racial.

Seu símbolo já não é mais um apressado ajuntamento de varas sob a proteção da força nacional. A suástica indica movimento, dinamismo, vida. As idéias de renovação somadas simplesmente ao Estado na Itália entram agora a mover-se, a marchar para o futuro. "O nacional-socialismo não se apresenta como uma fórmula de vida política, mas como um plano de regeneração total, tanto físico como material, econômica, racial, moral e religiosa, verdadeira visão de conjunto do mundo. É uma fé". [Jean Edouard Spenlé - ‘Les assisses morales de l’Allemagne hitlérienne’]. O fascismo italiano também é uma fé. Todos os movimentos semelhantes são tantas outras fés. E eis porque venceram e vencerão, fazendo o comunismo recuar diante deles e, o que é mais triste, por ser abjeto, disfarçar-se com rótulos nacionalistas, libertadores ou humanitários, infâmia das infâmias, em presença de movimentos claros e definidos que clamam abertamente seus propósitos. As mentiras não dispensam as máscaras.

Os movimentos espiritualistas de salvação nacional rapidamente se irradiaram pelo mundo. O nacional-sindicalismo dos camisas-azuis com a cruz de Cristo em Portugal desapareceu do cenário da nação, mas o governo de Salazar põe em prática quase todas as suas idéias, criando o Estado Corporativo Português. Na Inglaterra, os camisas-pretas do jovem e simpático Sir Oswald Mosley combatem o judaísmo, condenam o parlamentarismo liberal decrépito e anunciam o Estado Corporativo Inglês, realizando já notável ação cultural. Na Polônia, em 1926, José Gralla lançou o nacional-socialismo polonês, radicando-se nos pensadores nacionais e pregando a revisão dos problemas vitais da pátria. Suas camisas cor-de-cereja organizaram-se em 1933 e foram dissolvidas pelo governo em 1934; mas este vai aos poucos realizando idéias fascistas. Segundo documentado estudo de Carlos Istanbul - La Turquie de Mustapha Kemal - , o regime que domina a Turquia moderna tem caráter nacionalista. Na Holanda, os nacionais-socialistas acabam de ter admirável triunfo eleitoral. Há fascistas de camisa-azul na Irlanda, de camisa-cinzenta na África do Sul, de camisa-dourada, os cisteros, no México, de camisa-amarela na China, de camisa-prateada nos Estados Unidos. O "Peskonkrusts" da Letônia é uma organização fascista. O "Partido Nacional Social Cristão", fundado por Adrien Arcand e José Menard no Canadá, é fascista e anti-semita. A "Legião Cívica" da República Argentina declara-se nacionalista por "determinismo biológico". Há fascistas na Bélgica, influindo já nas decisões administrativas. Toda a mocidade católica e verdadeiramente patriota da Espanha se alista sob a bandeira da "Falange Espanhola". Na Romênia, o fascismo chefiado pelo enérgico Corneliu Codreanu recebeu a adesão dos agrários. As juventudes fascistas da "Orjuna" desfilam militarmente por toda a Sérvia. A Bulgária está invadida pelo fascismo e tem um governo fascista-militar. As "Milícias Nacionais" do Chile desafiam hoje os comunistas a reaparecerem. Os apristas agitam-se no Peru, agitando a alma nacional aletargada. Mesmo no Japão, o deputado Matsuoka fez brotar a idéia do integralismo nipônico.

A Áustria apóia-se no estrangeiro para impedir provisoriamente que o nazismo dela se apodere, porque ele corresponde às aspirações de seu povo; mas é obrigada a adotar a organização corporativa do Estado para poder viver.  Um dos Estados norte-americanos, a Louisiana, rompe, governada por Huey P. Long, abertamente contra o regime liberal da União e envereda pela trilha das doutrinas fascistas. Esse fenômeno no país onde, á entrada do maior porto, a estátua colossal da Liberdade Burguesa ilumina o mundo, é deveras impressionante como índice duma época, cujo caráter de reação contra o materialismo capitalista e o materialismo comunista. [...]

A França, pátria dos imortais princípios, entregue de pés e mãos atados a governos judaico-maçônicos, quase escravizada a Israel, como os próprios escritores judeus claramente o apregoam*, fermenta de movimentos nacionalistas, fascistas e anti-semitas. Violentas campanhas de imprensa documentam as atividades anti-sociais e anti-cristãs da Maçonaria, do judaísmo e do eleitoralismo político. Os escândalos financeiros, como o caso Staviski, desmoralizam os governos que caem diante da ebulição das massas populares. A "Action Française" prega a restauração da tradição monárquica, tão antiga como a própria França. Os franceses arregimentam-se ao grito de: - La France aux Français! E os trezentos mil veteranos da "Croix de Feu", obedientes ao comando do taciturno tenente-general de la Rocque esperam o momento de entrar em ação, correndo de quando a quando a pau os bandos comunistas.

Respondendo ao grito de Marx, no meado do século XIX, - "Proletários de todos os países, uni-vos!", ouve-se no século XX outro grito, - "Nacionalistas de todos os países, uni-vos!" Uni-vos na convicção de que o nacionalismo deste século, bastando-se a si mesmo, pois mergulha nas raízes do gênio próprio de cada povo, renovará a alma das velhas sociedades e trará ao universo a idéia duma ordem pacífica internacional.

Que deseja esse movimento generalizado no mundo inteiro? Busquemos nos seus tracts, panfletos, catecismos, manifestos e livros doutrinários os pontos básicos comuns que os norteiam nas sua ação e revolução: disciplina consciente e voluntária; subordinação de todo e qualquer interesse ao interesse da nação; cooperação e harmonia de classes; governo moral e materialmente forte, que possa resolver os problemas nacionais sem depender das forças que se formam paralelamente aos governos fracos; sacrifício pela pátria até a morte; igualdade para todos no dever de servir à coletividade, afim de que o bem de cada um venha do bem de todos; poucas palavras e muita ação; primazia absoluta do Espírito e da Moral; humildade diante de Deus.

Que ensina? O orgulho da disciplina conscientemente aceita diante do exemplo de Chefes; a coragem de morrer por uma idéia nobre; a solidariedade dum nacionalismo sem xenofobia; a limpeza moral no proceder; a consciência do próprio valor; a coragem de afirmar; a economia moralizada na aquisição e na fruição, e dirigida pelo Estado; o Estado integrado na Nação; a organização corporativa de todos os trabalhadores; o valor ético do trabalho; a dignidade e a intangibilidade da pessoa humana; a liberdade real dentro de uma democracia verdadeira; a guerra de morte ao capitalismo opressor, ao materialismo burguês e ao comunismo escravizante; o caráter sagrado da Família; o amor incondicional à Pátria; a fé absoluta em Deus. [...]

No dia em que as doutrinas fascistas tiverem o mundo inteiro nas mãos, numa aliança universal que Dzelepy já entrevê - Dzelepy, "L’Alliance des Fascismes" - , um equilíbrio social melhor permitirá aos povos a tranqüilidade necessária para organizarem a Paz Social, livres da despudorada intriga da imprensa e da propagação de doutrinas dissolventes graças às medidas de proteção contra as forças ocultas e parasitárias movidas por messianismos sem escrúpulos. Porque, à primeira vista, parece que o fascismo é o culto dum homem, quando na verdade é unicamente o culto duma idéia que um chefe encarna. Tanto assim que, perante a comissão de inquérito sobre os famosos acontecimentos de 6 de fevereiro, em Paris, Varin, companheiro de La Rocque, deu esta resposta formidável: - "Quand nos idées predrant le pouvoir..." São as idéias, para os fascistas de qualquer jaez, que tomam o poder. E essas idéias apagam até os maiores antagonismos entre os povos, as maiores rivalidades, porque os fascistas verdadeiros sabem que tais antagonismos e rivalidades são, na maioria dos casos, obra daninha e pérfida das forças secretas que agem em detrimento das nações e em proveito do judaísmo corruptor. Vêde, para sentir isto, como o tenente-coronel de la Rocque se expressa sobre a Alemanha. O exemplo é flagrante: "Deve-se tratar com os alemães?", pergunta, e responde: "Sim, mil vezes sim! Mas sob a condição de sermos primeiro SENHORES DE NÓS MESMOS, tendo acabado, no nosso país, com as empresas revolucionárias..." - De La Rocque, "Service Public". Porque ele tem certeza que os governos, infeudados a essas empresas, absolutamente escravizados, não são senhores de seus movimentos nem representam o sentir da nacionalidade; antes, pelo contrário, acionados por estas empresas, defendem os interesses destas em detrimento dos verdadeiros interesses nacionais.

Do exposto acima se verifica nitidamente que toda revolução de caráter fascista começa por uma revolução interior. Chamam-se hoje, na confusão reinante em tudo, revolucionários os homens que negam a primazia das leis morais e se entregam à cega correnteza dos impulsos naturais. Isso é amesquinhar o ser humano, é animalizá-lo. O caráter específico do homem é justamente o da libertação do domínio da matéria para ascender aos páramos da espiritualidade. Revolucionário verdadeiro é aquele que reage contra os instintos. Os maiores revolucionários foram os ascetas e os santos. A maior revolução de todos os tempos foi o Cristianismo. A única revolução digna de tal título na História, depois dele, é o movimento renovador e regenerador do fascismo. Ele não vem substituir homens como as pseudo-revoluções liberais, simplesmente políticas, de espírito revolucionários engarrafado; nem tudo destruir para tudo ocupar como a subversão comunista. Sua revolução processa-se de dentro para fora, combatendo pela palavra o regime vigente, mostrando seus erros e crimes, convencendo as massas da superioridade de sua doutrina e de seus processos, crescendo naturalmente, até romper a casca do ovo que a contém, até "rebentar o envólucro", de modo a apresentar sua construção em lugar da antiga que absorveu. Não foi de outro modo que se fez a Revolução Cristã. Jesus Cristo foi circuncidado de acordo com a lei mosaica. "Vim para cumprir a lei", declarou. Cumpriu-a, destruindo-a naturalmente, até dar-lhe substituição completa. Porque o Cristianismo era a revolução em todos os sentidos, que partia das almas, reformando-as, para reformar o todo social. Também a Revolução Fascista é integral e marcha na mesma direção".

GUSTAVO BARROSO,
O IV Império, páginas 156-174, 1935

Tuesday, May 20, 2014

A brilhante crítica de Adolf Hitler à democracia representativa


Atenção, politicamente corretos: esse site é anti-nazista, mas este excerto do Mein Kampf é fenomenal, digno de ser lido e relido, e se aplica perfeitamente ao que ocorre ainda hoje nos sistemas políticos da democracia representativa.

"A atual Democracia do ocidente é a precursora do marxismo, que sem ela seria inconcebível.  Ela oferece um terreno propicio, no qual consegue desenvolver-se a epidemia. Na sua expressão externa - o parlamentarismo - apareceu como um mostrengo "de lama e de fogo", no qual, a pesar meu, o fogo parece ter-se consumido depressa demais.

O Parlamento toma qualquer decisão - mesmo as de conseqüências mais funestas - e ninguém é por ela responsável, nem é chamado a prestar contas.

Pode-se, porventura, falar em responsabilidade, quando, após um colapso sem precedentes, o governo pede demissão, quando a coalizão se modifica, ou mesmo o Parlamento se dissolve?

Poderá, por acaso, uma maioria hesitante de homens ser jamais responsabilizada?

Não está todo conceito de responsabilidade intimamente ligado à personalidade?

Pode-se, na prática, responsabilizar o dirigente de um governo pelos atos cuja existência e execução devem ser levadas à conta da vontade e do arbítrio de um grande grupo de homens?

Porventura consistirá a tarefa do estadista dirigente não tanto em produzir um pensamento criador, um programa, como na arte com que torna compreensível a natureza de seus planos a um estúpido rebanho, com o fim de implorar-lhe o final assentimento?

Pode ser critério de um estadista que ele deva ser tão forte na arte de convencer como na habilidade política da escolha das grandes linhas de conduta ou de decisão?

Está provada a incapacidade de um dirigente pelo fato de não conseguir ele ganhar, para uma determinada idéia, a maioria de uma aglomeração reunida mais ou menos por simples acaso?

Já aconteceu que essas câmaras compreendessem uma idéia antes que o êxito se tornasse o proclamador da grandeza dessa mesma idéia?

Toda ação genial neste mundo não é um protesto do gênio contra a inércia da massa?

Que pode fazer o estadista que só consegue pela lisonja conquistar o favor desse aglomerado para os seus planos?

Deve ele comprar o apoio desses representantes do povo ou deve - em lace da tolice da execução das tarefas consideradas vitais - retrair-se e permanecer inativo?

Em tal caso, não se dá um conflito insolúvel entre a aceitação desse estado de coisas e a decência ou, melhor, a opinião sincera.

Onde está o limite que separa o dever para com a coletividade e o compromisso da honra pessoal?

Qualquer verdadeiro dirigente não deverá abster-se de degradar-se assim em aproveitador político?

E, inversamente, não deverá todo aproveitador estar destinado a "fazer" política, desde que a responsabilidade não caberá, afinal, a ele, mas à massa intangível?

O princípio da maioria parlamentar não deve conduzir ao desaparecimento da unidade de direção?

Acreditamos, acaso, que o progresso neste mundo provenha da ação combinada de maiorias e não de cérebros individuais?

Ou pensa-se que, no futuro, podemos dispensar essa concepção de cultura humana?

Não parece, ao contrário, que a competência hoje seja mais necessária do que nunca?

Negando a autoridade do indivíduo e substituindo-a pela soma da massa presente em qualquer tempo, o princípio parlamentar do consentimento da maioria peca contra o princípio básico da aristocracia da natureza; e, sob esse ponto de vista, o conceito do princípio parlamentar sobre a nobreza nada tem a ver com a decadência atual de nossa alta sociedade.

Quanto mais os verdadeiros chefes forem afastados das atividades políticas, que consistem principalmente, não em trabalho criativo e produção, mas no regatear e comprar os favores da maioria, tanto mais a atuação política descerá ao nível das mentalidades vulgares e tanto mais essas se sentirão atraídas para a vida pública.

Quanto mais tacanho for, hoje em dia, em espírito e saber, um tal mercador de couros, quanto mais clara a sua própria intuição lhe fizer ver a sua triste figura, tanto mais louvará ele um sistema que não lhe exige a força e o gênio de um gigante, mas contenta-se com a astúcia de um alcaide e chega mesmo a ver com melhores olhos essa espécie de sapiência que a de um Péricles. Além disso, um palerma assim não precisa atormentar-se com a responsabilidade de sua ação. Ele está fundamentalmente isento dessa preocupação, porque, qualquer que seja o resultado de suas tolices de estadista, sabe ele muito bem que, desde muito tempo, o seu fim está escrito: um dia terá de ceder o lugar a um outro espírito tão grande quanto ele próprio. Uma das características de tal decadência é o fato de aumentar a quantidade de "grandes estadistas" à proporção que se contrai a escala do valor individual. O valor pessoal terá de tornar-se menor à medida que crescer a sua dependência de maiorias parlamentares, pois tanto os grandes espíritos recusarão ser esbirros de ignorantões e tagarelas, como, inversamente, os representantes da maioria, isto é, da estupidez, nada mais odeiam que uma cabeça que reflete.

Sempre consola a uma assembléia de simplórios conselheiros municipais saber que tem à sua frente um chefe cuja sabedoria corresponde ao nível dos presentes. Cada um terá o prazer de fazer brilhar, de tempos em tempos, uma fagulha de seu espírito; e, sobretudo, se Sancho pode ser chefe, por que não o pode ser Martinho?

Mas, ultimamente, essa invenção da democracia fez surgir uma qualidade que hoje se transformou em uma verdadeira vergonha, que é a covardia de grande parte de nossa chamada "liderança". Que felicidade poder a gente esconder-se, em todas as verdadeiras decisões de alguma importância, por trás das chamadas maiorias!

Veja-se a preocupação de um desses salteadores políticos em obter a rogos o assentimento da maioria, garantindo-se a si e aos seus cúmplices, para, em qualquer tempo, poder alienar a responsabilidade. E eis aí uma das principais razões por que essa espécie de atividade política é desprezível e odiosa a todo homem de sentimentos decentes e, por. tanto, também de coragem, ao passo que atrai todos os caracteres miseráveis - aqueles que não querem assumir a responsabilidade de suas ações, mas antes procuram fugir-lhe, não passando de covardes pulhas. Desde que os dirigentes de uma nação se componham de tais entes desprezíveis, muito depressa virão as conseqüências. Ninguém terá mais a coragem de uma ação decisiva: toda desonra, por mais ignominiosa, será aceita de preferência à resolução corajosa. Ninguém mais está disposto a arriscar a sua pessoa e a sua cabeça para executar uma decisão temerária.

Uma coisa não se pode e não se deve esquecer: a maioria jamais pode substituir o homem. Ela é sempre a advogada não só da estupidez, mas também da covardia, e assim como cem tolos reunidos não somam um sábio, uma decisão heróica não é provável que surja de um cento de covardes.

Quanto menor for a responsabilidade de cada chefe individualmente, mais crescerá o número daqueles que se sentirão predestinados a colocar ao dispor da nação as suas forças imortais. Com impaciência, esperarão que lhes chegue a vez; eles formam em longa cauda e contam, com doloridos lamentos, o número dos que esperam na sua frente e quase que calculam a hora quando possivelmente alcançarão o seu desiderato. Daí a ânsia por toda mudança nos cargos por eles cobiçados e daí serem eles gratos a cada escândalo que lhes abre mais uma vaga. Caso um deles não queira recuar da posição tomada, quase que sente isso como quebra de uma combinação sagrada de solidariedade comum. Então é que eles se tornam maldosos e não sossegam enquanto o desavergonhado, finalmente vencido, não põe o seu lugar novamente à disposição de todos. Por isso mesmo, não alcançará ele tão cedo essa posição. Quando uma dessas criaturas é forçada a desistir do seu posto, procurará imediatamente intrometer-se de novo na fileira dos que estão na expectativa, a não ser que o impeça, então, a gritaria e as injúrias dos outros.

O resultado disso é a terrível rapidez de mudança nas mais altas posições e funções, em um Estado como o nosso, fato que é desfavorável, de qualquer modo, e que freqüentemente opera com efeitos absolutamente catastróficos, porque não só o estúpido e o incapaz são vitimados por esses métodos de proceder, mas mesmo os verdadeiros chefes, se algum dia o destino os colocar nessas posições de mando.

Logo que se verifica o aparecimento de um homem excepcional, imediatamente se forma uma frente fechada de defesa, sobretudo se um tal cabeça, não saindo das próprias fileiras, ousar, mesmo assim, penetrar nessa sublime sociedade. O que eles querem fundamentalmente é estarem entre si, e é considerado inimigo comum todo cérebro que possa sobressair no meio de tantas nulidades. E, nesse sentido, o instinto é tanto mais agudo quanto é falho a outros respeitos.

O resultado será assim sempre um crescente empobrecimento espiritual das classes dirigentes. Qualquer um, desde que não pertença a essa classe de "chefes", pode julgar quais sejam as conseqüências para a nação e para o Estado.

O que me impressionava também era o paralelo entre a capacidade e o saber desses representantes do povo e a gravidade dos problemas que tinham de resolver. Quer se quisesse, quer não, era preciso também atentar mais de perto para o horizonte mental desses eleitos do povo, sendo ainda impossível deixar de dar a atenção necessária aos processos que conduzem ao descobrimento desses impressionantes aspectos de nossa vida pública 

Valia a pena também estudar e examinar a fundo a maneira pela qual a verdadeira capacidade desses parlamentares era empregada e posta a serviço da pátria, ou seja o processo técnico de sua atividade.

O panorama da vida parlamentar parecia tanto mais lamentável quanto mais se penetrava nessas relações íntimas e se estudavam as pessoas e o fundamento das coisas, com desassombrada objetividade. E isso vem muito a propósito, tratando-se de uma instituição que, por intermédio de seus detentores, a todo passo se refere à "objetividade" como única base justa de qualquer atitude. Examinem-se esses cavalheiros e as leis de sua amarga existência e o resultado a que se chegará será espantoso.

Não há um princípio que, objetivamente considerado, seja tão errado quanto o parlamentar.

Pode-se mesmo, nesse caso, abstrair inteiramente a maneira pela qual se realiza a escolha dos senhores representantes do povo, mesmo os processos por que chegam a seu posto e à sua nova dignidade, Considerando que a compreensão política da grande massa não está tão desenvolvida para adquirir por si opiniões políticas gerais e escolher pessoas adequadas, chegar-se-á com facilidade à conclusão de que, nos parlamentos, só em proporção mínima, é que se trata da realização de um desejo geral ou mesmo de uma necessidade pública.

A nossa concepção ordinária da expressão "opinião pública" só em pequena escala depende de conhecimento ou experiências pessoais, mas antes do que outros nos dizem. E isso nos é apresentado sob a forma de um chamado "esclarecimento" persistente e enfático.

A quota mais eficiente na "educação" política, que, no caso, com muita propriedade, é chamada "propaganda", é a que cabe à imprensa, a que se reserva a "tarefa de  esclarecimento" e que assim se constitui em uma espécie de escola para adultos.

O que primeiro me impressionou foi a rapidez com que aquela força perniciosa do Estado conseguia fazer vitoriosa uma definida opinião, muito embora essa opinião implicasse no falseamento dos verdadeiros desejos e idéias do público. Dentro de poucos dias um absurdo irrisório se tornava um ato governamental de grande importância, ao mesmo tempo que problemas essenciais caíam no esquecimento geral ou antes eram roubados à atenção das massas.

Não há nenhum meio a que não recorra um tal salteador moral para chegar aos seus objetivos. Ele meterá o focinho nas mais secretas questões de família e não sossegará enquanto o seu faro não tiver descoberto um miserável incidente que possa determinar a derrota da infeliz vítima. Caso nada seja encontrado, quer na vida pública quer na vida particular, o patife lança mão da calúnia, firmemente convencido, não só de que, mesmo depois de milhares contestações, alguma coisa sempre fica, como também de que devido a centenas de repetições que essa demolição da honra encontra entre os cúmplices, impossível é à vítima manter a luta na maioria dos casos. Essa corja nem mesmo age por motivos que possam ser compreensíveis para o resto da humanidade.

Deus nos livre! Enquanto um bandido desses ataca - o resto da humanidade, essa gente esconde-se por trás de uma verdadeira nuvem de probidade e frases untuosas, tagarela sobre "dever jornalístico" e quejandas balelas e alteia-se até a falar em "ética" de imprensa, em assembléias e congressos, ocasiões em que a praga se encontra em maior número e em que a corja mutuamente se aplaude.

Essa súcia, porém, fabrica mais de dois terços da chamada "opinião pública", de cuja espuma nasce a Afrodite parlamentar.

Seria necessário escrever volumes para poder pintar com exatidão esse processo e representá-lo na sua inteira falsidade.  Mas, mesmo abstraindo tudo isso e observando somente os efeitos da sua atividade, parece-me isso suficiente para esclarecer o espírito mais crédulo quanto à insensatez objetiva dessa instituição.

Na primeira, o ponto mais importante é o número. Suponhamos que quinhentos homens são eleitos e chamados a dar solução definitiva sobre tudo. Praticamente, porém, só eles constituem o governo, pois se é verdade que dentro deles é escolhido o gabinete, o mesmo, só na aparência, pode fiscalizar os negócios públicos. Na realidade, esse chamado governo não pode dar um passo sem que antes lhe seja outorgado o assentimento geral da assembléia. O Governo contudo não pode ser responsável por coisa alguma, desde que o julgamento final não está em suas mãos mas na maioria parlamentar.

Ele só existe para executar a vontade da maioria parlamentar em todos os casos. Propriamente só se poderia ajuizar de sua capacidade política pela arte com que ele consegue se adaptar à vontade da maioria ou atrair para si essa mesma maioria. Cai, assim, da posição de verdadeiro governo para a de mendigo da maioria ocasional. Na verdade, o seu problema mais premente consistirá, em vários casos, em garantir-se o favor da maioria existente ou em provocar a formação de uma nova mais favorável. Caso consiga isso, poderá continuar a "governar" por mais algum tempo; caso não o consiga, terá de resignar o poder. A retidão de suas intenções, por si só, não importa.

A responsabilidade praticamente deixa de existir.

Uma simples consideração mostra a que ponto isso conduz.

A composição intima dos quinhentos representantes do povo, eleitos, segundo a profissão ou mesmo segundo a capacidade de cada um, resulta em um quadro tão disparatado quanto lastimável. Não se irá pensar por acaso que esses eleitos da nação sejam também eleitos da inteligência. Não é de esperar que das cédulas de um eleitorado capaz de tudo, menos de ter espírito, surjam estadistas às centenas. Ademais, nunca é excessiva a negação peremptória à idéia tola de que das eleições possam nascer gênios. Em primeiro lugar, só muito raramente aparece em uma nação um verdadeiro estadista e muito menos centenas de uma só vez; em segundo lugar, é verdadeiramente instintiva a antipatia da massa contra qualquer gênio que se destaque. É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que ser "descoberto" um grande homem por uma eleição. O indivíduo que realmente ultrapassa a medida normal do tipo médio costuma fazer-se anunciar, na história universal, pelos seus próprios atos, pela afirmação de sua personalidade.

Quinhentos homens, porém, de craveira abaixo da medíocre, decidem sobre os negócios mais importantes da nação, estabelecem governos que em cada caso e em cada questão têm de procurar o assentimento da erudita assembléia. Assim é que, na realidade, a política é feita pelos quinhentos.

Mas, mesmo pondo de lado o gênio desses representantes do povo, considere-se a quantidade de problemas diferentes que esperam solução, muitas vezes em casos opostos, e facilmente se compreenderá o quanto é imprestável uma instituição governamental que transfere a uma assembléia o direito de decisão final - assembléia essa que possui em quantidade mínima de conhecimentos e experiência dos assuntos a serem tratados. As mais importantes medidas econômicas são assim submetidas a um foro cujos membros só na porcentagem de um décimo demonstraram educação econômica. E isso não é mais que confiar a decisão última a homens aos quais falta em absoluto o devido preparo.

Assim acontece também com qualquer outra questão. A decisão final será dada sempre por uma maioria de ignorantes e incompetentes, pois a organização dessa instituição permanece inalterada, ao passo que os problemas a serem tratados se estendem a todos os ramos da vida pública, exigindo, pois, constante mudança de deputados que sobre eles tenham de julgar e decidir. É de todo impossível que os mesmos homens que tratam de questões de transportes, se ocupem, por exemplo, com uma questão de alta política exterior. Seria preciso que todos fossem gênios universais, como só de séculos em séculos aparecem. Infelizmente trata-se, não de verdadeiras "cabeças", mas sim de diletantes, tão vulgares quanto convencidos do seu valor, enfim de mediocridade da pior espécie. Daí provém a leviandade tantas vezes incompreensível com que os parlamentares falam e decidem sobre coisas que mesmo dos grandes espíritos exigiriam profunda meditação.

Seria certamente injusto pensar que todo deputado de um tal parlamento tivesse sempre tão pouco sentimento de responsabilidade. Não. Absolutamente não.

Obrigando esse sistema o indivíduo a tomar posição em relação a questões que não lhe tocam de perto, ele corrompe aos poucos o seu caráter. Não há um deles que tenha a coragem de declarar: "Meus senhores, eu penso que nada entendemos deste assunto. Pelo menos eu não entendo absolutamente". Aliás, isso pouco modificaria, pois certamente essa maneira de ser franco seria inteiramente incompreendida e, além disso, não se haveria de estragar o brinquedo por caso de um asno honesto.

Quem, porém, conhece os homens, compreende que em uma sociedade tão ilustre ninguém quer ser o mais tolo e, em certos círculos, honestidade é sempre sinônimo de estupidez.

Assim é que o representante ainda sincero é jogado forçosamente no caminho da mentira e da falsidade. Justamente a convicção de que a reação individual pouco ou nada modificaria, mata qualquer impulso sincero que porventura surja em um ou outro. No final de contas, ele se convencerá de que, pessoalmente, longe está de ser o pior entre os demais e que com sua colaboração talvez impeça maiores males.

É verdade que se fará a objeção de que o deputado pessoalmente poderá não conhecer este ou aquele assunto, mas que a sua atitude será guiada pela fração a que pertença; esta, por sua vez, terá as suas comissões especiais que serão suficientemente esclarecidas pelos entendidos. À primeira vista, isso parece estar certo. Surgiria, porém, a pergunta: por que se elegem quinhentos, quando só alguns possuem a sabedoria suficiente para tomarem atitude nas questões mais importantes?

Aí é que está o busilis.

Não é móvel de nossa atual Democracia formar uma assembléia de sábios, mas, ao contrário, reunir uma multidão de nulidades subservientes, que possam ser facilmente conduzidas em determinadas direções definidas, dada a estreiteza mental de cada uma delas. Só assim pode ser feito o jogo da política partidária, no mau sentido que hoje tem. Mas isso, por sua vez, torna possível que os que manobram os cordéis fiquem em segurança por trás dos bastidores, sem possibilidade de serem tornados pessoalmente responsáveis. Atualmente, uma decisão, por mais nociva que seja ao povo, não pode ser atribuída, perante os olhos do público, a um patife único, ao passo que pode sempre ser transferida para os ombros de todo um grupo.

Praticamente, pois, não há responsabilidade, porque a responsabilidade só pode recair sobre uma individualidade única e não sobre as gaiolas de tagarelice que são as assembléias parlamentares."
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