Judeus
e árabes de Israel, Jordânia e Líbano têm metade de sua ancestralidade
proveniente dos levantinos da Idade do Bronze
A maioria das populações judaicas e de língua árabe atuais compartilha uma forte ligação genética com os antigos cananeus, de acordo com um novo estudo conduzido por uma equipe internacional de arqueólogos e geneticistas, incluindo o Prof. Israel Finkelstein, do Departamento de Arqueologia e Culturas do Antigo Oriente Próximo da Universidade de Tel Aviv (TAU).
O estudo conclui que os grupos modernos do Líbano, Israel e Jordânia compartilham grande parte de sua ancestralidade, na maioria dos casos mais da metade, com os povos que viveram no Levante durante a Idade do Bronze, há mais de 3.000 anos.
Os pesquisadores também determinaram que os cananeus – que aparecem freqüentemente em fontes antigas, incluindo a Bíblia – descendem de uma mistura de uma população levantina anterior e migrantes vindos da região do Cáucaso ou do atual Irã.
História dos ossos
Os pesquisadores analisaram material genético de dezenas de esqueletos encontrados em sítios cananeus em Israel e países vizinhos, e o compararam aos genomas de outras populações antigas, bem como a grupos modernos.
“Este estudo sugere que existe uma profunda conexão genética entre muitos grupos judaicos da Diáspora atual e muitos grupos árabes com esta parte do mundo há milhares de anos”, disse o Prof. Reich, geneticista da Universidade de Harvard e um dos maiores especialistas mundiais no estudo de DNA antigo, em entrevista ao Haaretz.
Invasão ou migração?
Os especialistas sabem que os antigos cananeus estavam divididos em cidades-estado independentes, como Megido, Hazor e Acre. A maioria dos textos sobre eles provém de fontes externas ou posteriores, então será que o “povo cananeu” realmente existiu como uma entidade coerente? O novo estudo mostra que, pelo menos geneticamente, os cananeus tinham muito em comum entre si.
A maioria dos genomas recuperados pôde ser modelada como tendo uma contribuição ancestral de aproximadamente 50/50 entre habitantes neolíticos locais e um grupo originário do Cáucaso ou das montanhas Zagros do noroeste, no atual Irã. Para que a ancestralidade dos cananeus fosse dividida igualmente entre locais e recém-chegados, teria que ter havido um influxo significativo de pessoas; e uma questão que se impõe é se esse influxo representou uma invasão ou uma migração pacífica.
"Não acredito que estejamos lidando com uma invasão", disse o Prof. Finkelstein. "Não temos evidências arqueológicas de destruição ou de uma grande perturbação no início da Idade do Bronze."
O próximo passo para os pesquisadores será continuar modelando as populações antigas do Levante, especialmente após a época dos cananeus. Segundo o Prof. Finkelstein: “Será interessante ver o que aconteceu depois, qual era o perfil genético do povo do Israel e Judá bíblicos, como eles se conectam a nós e aos seus antecessores, e quais foram as outras contribuições para o patrimônio genético ao longo do tempo.”

No comments:
Post a Comment
Seja responsável em seus comentários. Caso se verifiquem comentários descontextualizados e criminosos, estes poderão ser apagados.
Ofensas ao catolicismo serão sumariamente apagadas.