Sunday, June 05, 2005

Como extorquir um país?

Norman Finkelstein (*)

Nos recentes anos, a indústria do Holocausto se tornou uma verdadeira máquina de extorsão. Propondo-se representar todo o mundo judaico, vivos e mortos, é lançado um clamor pelos bens judaicos da era do Holocausto por toda Europa. Apropriadamente dublado o “último capítulo do Holocausto”, essa repetida extorsão dos países europeus, bem como aos legítimos reclamantes judeus, primeiro alvejou a Suíça. Eu primeiro examinarei as alegações contra a Suíça. Então, eu chegarei até as evidências, para demonstrar que muitas das alegações (débitos) não foram apenas baseadas em fraudes, mas aplicavam-se até mais primorosamente a isso como edição de seus objetivos.

Comemorando o 50o aniversário do fim da IIª GM, o presidente da Suíça formalmente se desculpou em Maio de 1995 por negar refúgio aos judeus durante o holocausto nazista. Pela mesma época, reabriram-se discussões que estavam em banho-maria dos bens depositados em contas suíças antes e durante a guerra. Em um amplamente divulgado relato, um jornalista israelense citou um documento – mal traduzido e depurado – provando que os bancos suíços ainda guardariam contas judaicas da era do Holocausto que somavam bilhões de dólares.

O Congresso Mundial Judaico (CMJ), uma moribunda organização até sua campanha de denúncia a Kurt Waldheim como criminoso de guerra, deu um salto diante de uma nova oportunidade de exercitar seus músculos. Em breve ficaria claro que a Suíça era presa fácil. Poucos simpatizariam com os ricos bancos suíços em contraposição aos “necessitados sobreviventes do Holocausto”. Mas, muito mais importante, os bancos suíços estavam altamente vulneráveis a pressões norte-americanas.

No final de 1995, Edgar Bronfman, presidente do CMJ, e o filho de um funcionário da Conferência de Reivindicações Judaicas, e Rabbi Israel Singer, o secretário-geral do CMJ e um verdadeiro magnata, encontraram-se com os banqueiros suíços. Bronfman, herdeiro da fortuna da Seagram liquor (sua riqueza particular é estimada em $ 3 bilhões), informaria mais tarde, modestamente, ao Comitê do Bancário do Senado que ele falou “em benefício do povo judeu” assim como “os 6 milhões, que não poderiam falar por si mesmos”. Os banqueiros suíços declararam que eles podiam localizar apenas 775 contas dormentes não reclamadas, na importância de um total de $ 32 milhões. Eles ofereceram essa soma como uma base para negociações com o CMJ, que recusou-a como inadequada. Em dezembro de 1995, Bronfman trabalhou em grupo com o Senador D’Amato. Sua baixa avaliação eleitoral e uma não distante corrida ao Senado não distante fizeram que ele saboreasse essa ocasião para ascender sua posição junto à comunidade judaica, devido aos seus votos cruciais e seus ricos doadores. Antes da Suíça ficar finalmente de joelhos, o CMJ, trabalhando com a totalidade de instituições do Holocausto (incluindo o US Museu Memorial do Holocausto e o Simon Wiesenthal Center), tinham mobilizado todo o establishment político americano. Do presidente Clinton, que firmou um acordo com D’Amato (o inquérito do Whitewater1 ainda estava rolando) para emprestar apoio, através de onze agências do governo federal assim como a Casa Branca e o Senado, sob a proteção do Estado e governos locais de todo o país, pressões bipartidárias2 foram trazidas para dar luz a uma publicidade oficial depois de um outro alinhamento para denunciar a perfídia suíça.

Manobrando a Casa Branca e os comitês bancários do Senado como um trampolim, a indústria do Holocausto orquestrou uma campanha sem vergonha de vilificação. Com uma eterna complacente e crédula imprensa pronta para dar bandeira a qualquer estória relacionada ao Holocausto, todavia ridícula, a suja campanha provou-se impossível de ser detida. Gregg Rickman, primeiro socorro legislativo de D’Amato, gabou-se que os bancos suíços foram forçados “a um julgamento público onde nós damos as cartas. Os banqueiros estariam em nosso gramado e convenientemente, nós seríamos juízes, júri e carrascos”. Tom Bower, o principal pesquisador na campanha anti-Suíça, apelida a intimação de D’Amato para um inquérito como um “eufemismo para uma ação pública ou uma corte canguru3”.

O “porta-voz” do rolo-compressor anti-suíço foi o diretor executivo do CMJ Elan Steinberg. Sua principal função era promover desinformação. “Terror por embaraço”, de acordo com Bower, “era a arma de Steinberg, à medida que ele proferia uma série de acusações para causar desconforto e choque. Os relatórios da OSS, freqüentemente, baseados em rumores e não corroboradas fontes, desconsideradas por anos pelos historiadores como boatos, repentinamente assumiam total credibilidade e publicidade comum”. “A última coisa que os bancos precisam é publicidade negativa”, explicou Rabbi Singer. “Nós fazemos isso até os bancos dizerem: basta!” Nós queremos um compromisso”. Ansioso para dividir os holofotes, Rabbi Marvin Hier, decano do Simon Wiesenthal Center, espetacularmente alegou que a Suíça havia encarcerado refugiados judeus em “campos de trabalhos forçados” (com mulher e filha na folha de pagamento, Hier administra o Simon Wiesenthal Center como um negócio de família; juntos os Hiers tiraram uma remuneração de $ 520.000 em 1995. O Centro é conhecido pelas exibições “Dachau-Disneylândia” do seu museu e um “bem sucedido uso de táticas sensacionalistas e amedrontadoras para arrecadar dinheiro”, “no relâmpago do temporal da mídia de mixar verdade e suposição, fato e ficção”. Itamar Levin conclui: “é fácil entender por quê muitos suíços acreditam que seu país foi vítima de algum tipo de conspiração internacional.

A campanha rapidamente degenerou em um libelo do povo suíço. Bower, em um estudo apoiado pelo escritório de D’Amato e o Simon Wiesenthal Center, de maneira característica, relata que “um país cujos cidadãos... ostentavam a seus vizinhos sua invejável riqueza, estavam completamente conscientes que lucravam com dinheiro de sangue”; que “o aparentemente respeitável cidadão da mais pacífica nação do mundo... cometeu um assalto sem precedentes”; que “havia desonestamente um código cultural que o suíço controlava para proteger a imagem e prosperidade da nação”; que a Suíça foi “instintivamente atraída por ganhos saudáveis” (só a Suíça?); que “o egoísmo foi o supremo guia para todos os bancos suíços” (só os bancos suíços?); que “a pequena geração de banqueiros tinha se tornado voraz e mais imoral do que a maioria”; “que a supressão e decepção foram artes praticadas entre diplomatas suíços”. (só diplomatas suíços?); que “desculpas e resignações não eram comuns na tradição política da Suíça” (diferente da nossa própria?); que a “avidez suíça era única”; que o “caráter suíço” combinava “simplicidade e duplicidade”, e “por detrás da aparência de civilidade estava uma porção de teimosia, além disso a sólida incompreensão egoística de qualquer outra opinião”, que a Suíça foi “não apenas uma gente particularmente sem charme que não tinha produzido artistas, nem heróis desde William Tell e nenhum estadista, mas foram desonestos colaboradores do nazismo que tinham lucrado com o genocídio”, e continuamente Rickman assinala essa “profunda verdade” sobre a Suíça: “No fundo, talvez mais fundo do que eles pensam, uma arrogância latente deles mesmos e contra outros existia em seus muitos modos de ser. Tentar eles tentaram, mas não puderam se ocultar em sua polidez”. Muitas dessas calúnias são consideradas como as pechas jogadas contra judeus por anti-semitas.

A principal acusação era que ali houve, nas palavras do subtítulo de Bower, “uma conspiração suíço-nazista de cinqüenta anos para roubar bilhões dos judeus europeus e trucidar os sobreviventes”. No que tinha se tornado um “mantra” da chantagem de restituição do holocausto, isso constituía o “maior roubo da história da espécie humana”. Para a indústria do Holocausto, todos as matérias judias pertenciam a uma separada, superlativa categoria – a pior, a maior...

A indústria do Holocausto primeiro alegou que os bancos suíços tinham sistematicamente negado acesso às contas dormentes dos legítimos herdeiros em importância entre $7 bilhões e $20 bilhões. “Decorridos 50 anos”, a Revista Time relatou em uma reportagem de capa, uma “instrução permanente” dos bancos suíços que “tem protelado e procrastinado quando os sobreviventes do Holocausto reclamam pelas contas de seus falecidos parentes”. Recordando a legislação secreta decretada pelos bancos suíços em 1934, de uma certa forma para prevenir uma busca meticulosa dos nazistas pelos depósitos judeus, D’Amato discursou no Comitê Bancário da Casa Branca (CBCB): “Não é irônico que o sistema natural que encorajava as pessoas a vir e abrir contas, o segredo, seria então usado para negar às próprias pessoas, e seus herdeiros, seu legado, seus direitos? Ele foi pervertido, adulterado, deformado.”

Bower, sem perder fôlego, relata a descoberta de uma peça chave da evidência da perfídia suíça contra as vítimas do Holocausto. “Sorte e diligência cuidaram para que uma pepita confirmasse a validade da reclamação de Bronfman. Um relatório da inteligência da Suíça em julho de 1945 declarou que Jacques Salmanovitz, o dono da Societe Generale de Surveillance, uma notória e confiável companhia em Genebra com vínculos nos Bálcãs, possuía uma lista de 182 clientes judeus que tinham confiado 8,4 milhões de francos suíços e por volta de $90.000 para os notários que esperariam sua chegada dos Bálcãs. O relatório acrescentou que os judeus não tinham ainda reclamado por suas posses. Rickman e D’Amato ficaram estáticos”. Da sua própria conta, Rickman, outrossim, agita sua “prova da criminalidade suíça”. Nenhum dos dois, porém, menciona nesse específico contexto que Salmanovitz era judeu (o valor real dessas reclamações será discutido abaixo).

No final de 1996, uma manifestação de anciãs judias e um homem entregaram comoventes testemunhos em frente aos comitês bancários do Congresso pela malevolência dos banqueiros suíços. Apesar disso quase nenhuma destas testemunhas, de acordo com Itamar Levin, um editor do principal jornal de negócios de Israel, “tinha provas reais da existência de posses nos bancos suíços”. Para aumentar o efeito teatral dessas, D’Amato chamou Elie Wiesel para dar luz a um testemunho. Em testemunho posterior largamente mencionado, Wiesel expressou choque – choque! – com a revelação que os perpetradores do Holocausto procuraram roubar os judeus antes de assassiná-los: ”No começo nós pensamos que a solução final era motivada só pela venenosa ideologia. Agora nós sabemos que eles simplesmente não queriam matar judeus, como horrível isso poderia soar, eles queriam o dinheiro dos judeus. A cada dia nós aprendemos mais a respeito dessa tragédia. Não há limite para a dor? Não há limite para o escândalo?“ Obviamente, a pilhagem nazista dos judeus não é novidade, uma boa parte do estudo seminal de Raul Hilberg, A Destruição dos Judeus Europeus, publicado em 1961, é devotado a expropriação dos judeus pelos nazistas.

Reclamavam também que os banqueiros suíços roubaram os depósitos das vítimas do Holocausto e metodicamente destruíram registros vitais para cobrir quaisquer vestígios, e que apenas judeus sofreram todas essas abominações. Atacando a Suíça em um inquérito, a Senadora Barbara Boxer declarou: “Esse Comitê não agüentará tanta hipocrisia da parte dos bancos suíços. Não contem ao mundo que vocês estão investigando quando na realidade estão triturando.”

Aliás, o “valor da propaganda” (Boxer) das anciãs reclamantes judias testemunham a perfídia suíça, rapidamente enfraquecida por si mesma. A indústria do Holocausto, conforme o exposto, procurava por uma nova revelação. O frenesi da mídia fixou-se na compra suíça de ouro que os nazistas roubaram dos bancos centrais da Europa durante a guerra. Embora pipocada como uma impressionante revelação, era na realidade notícia velha. O autor de um estudo padrão no assunto, Arthur Smith, contou em audiência na Casa Branca: “Eu ouvi diariamente e nessa tarde coisas que, pela enorme dimensão, em linhas gerais, eram conhecidas por um número de anos; e eu estou surpreso com o fato que muito disso tudo se apresentasse como novo e sensacional.” O principal do inquérito, porém, não foi informar mas, nas palavras da jornalista Isabel Vincent, criar “estórias sensacionais”. Se lama suficiente fosse atirada, estaria razoavelmente presumido que a Suíça cederia.

A única alegação verdadeiramente nova foi que a Suíça sabidamente tinha comerciado “ouro das vítimas”. Isto é, eles adquiriram vastas quantidades de ouro que os nazistas tinham fundido em barras depois de despir as vítimas e concentrá-las nos campos da morte. O CMJ, relata Bower, “necessitava de uma publicação emotiva para vincular o Holocausto e a Suíça”. Essa nova revelação da traição suíça foi conseqüentemente trabalhada como uma dádiva dos céus. “Poucas imagens”, prossegue Bower, “seriam mais abrasadoras do que a extração metódica, nos campos de extermínio, de ouro de obturação dentária das bocas dos corpos judeus dragados pelas câmaras de gás”. “Os fatos são muito, muito dolorosos”, D’Amato melancolicamente entoava em uma audiência da Casa Branca, “que eles dizem respeito à captura e saque de posses de casas, de bancos nacionais, dos campos de morte, braceletes e relógios de ouro e armação de óculos e as obturações de dente das pessoas”.

Além do bloqueio de acesso às contas do Holocausto e compra de ouro roubado, a Suíça também permaneceu acusada de conspirar com Polônia e Hungria para defraudar judeus. A acusação era que quantias não reclamadas em contas suíças pertenciam ao cidadão polonês e húngaro (muitos, mas não todos judeus) e que foram usadas pela Suíça como compensação para propriedades suíças nacionalizadas por aqueles governos. Rickman se refere a isso como uma “revelação assustadora, que impressiona pelos golpes da Suíça e criam uma tempestade que se origina em incêndio”. Mas os fatos eram já amplamente conhecidos e relatados em publicações legais americanas no início dos anos 50. E, para toda a mídia sensacionalista, o montante total envolvido no final das contas veio menor do que uns milhões de dólares em valores correntes.

Antes mesmo do primeiro inquérito do Senado de contas dormentes em abril de 1996, os bancos suíços tinham concordado em estabelecer um comitê investigativo e obedecer a suas descobertas. Composto de seis membros, três dos quais da Organização Mundial Judaica de Restituição e a Associação dos Banqueiros Suíços, e encabeçada por Paul Volcker, primeiro presidente do Federal Reserve Bank, o “comitê independente de eminentes personalidades” foi formalmente declarado em maio de 1996 “Memorando de Sábios”. Em acréscimo, o governo suíço apontou em dezembro de 1996 um “comitê independente de experts”, presidido por Jean-Francois Bergier e incluindo o proeminente estudioso do holcausto Saul Friedländer, para investigar o comércio do ouro suíço com a Alemanha durante a IIª GM.

Antes que essas corporações pudessem mesmo começar a trabalhar, a indústria do Holocausto, porém, pressionava por um acordo financeiro com a Suíça. A Suíça protestou alegando que qualquer acordo devia naturalmente aguardar as descobertas das comissões; senão, isso configuraria “extorsão e chantagem”. Jogando sua carta sempre vitoriosa, o CMJ angustiava-se com o empenho para com os “necessitados sobreviventes do Holocausto”. “Meu problema é o tempo”, Bronfman contou ao Comitê Bancário da Casa Branca em dezembro de 1996, “e eu tenho sofrido por todos esses sobreviventes do holocausto”. Alguém se maravilhou por que o angustiado bilionário não pudesse por si mesmo temporariamente ajudá-los em seus apuros. Liberada uma oferta de acordo suíço de $250 milhões, Bronfman choramingou: “Não faça quaisquer generosidades. Eu darei o dinheiro por minha conta”. Ele não o fez. A Suíça, porém, concordou em fevereiro de 1997 estabelecer um Fundo Especial para Vítimas Necessitadas do Holocausto em $200 milhões para fluir para “pessoas que precisam de ajuda ou apoio em situações especiais” até as comissões completarem seu trabalho (o fundo estava ainda solvente quando as comissões Bergier e Volcker publicaram seus relatórios). As pressões da indústria do Holocausto por um acordo final, porém, não eram indulgentes; ao contrário; elas continuaram a se elevar. Renovadas solicitações da Suíça para que um acordo tivesse que aguardar os achados das comissões – foi o CMJ que, depois de tudo, originalmente deu o nome a isso de “cálculo moral” – foram apenas apelos em vão. Com efeito, a indústria do Holocausto queria, portanto, a alienação dessas descobertas: para provar legitimidade, bastaria no final das contas umas poucas exigências e o caso com os bancos suíços perderia confiança; e os reclamantes legítimos deveriam ser identificados, mesmo que em grande número, a Suíça seria obrigada a compensar apenas eles, mas não as organizações judaicas. Um outro mantra da indústria do Holocausto é que a compensação “é uma questão de verdade e justiça, mas não de dinheiro”. “Isso não é por dinheiro”, os suíços agora ironizam. “É por muito dinheiro”.

Além de incitar a histeria publica, a indústria do Holocausto coordenou uma estratégia bifurcada para “aterrorizar” (Bower) a Suíça levando-a à submissão: processos de ação de classe e um boicote econômico. A primeira ação de classe foi instruída no começo de outubro de 1996 por Edward Pagan e Robert Swift em benefício de Gizella Weisshaus (seu pai falou sobre dinheiro depositado na Suíça antes de morrer em Auschwitz, mas os bancos se recusaram a fazer investigações no pós-guerra) e “outras similares” situadas em $20 bilhões. Uns poucos meses depois, o Simon Wiesenthal Center, inscrevendo como advogados Michael Hausfeld e Melvyn Weiss, instruíram uma segunda ação de classe e, em janeiro de 1997, o Conselho Mundial das Comunidades de Judeus Ortodoxos instruiu ainda uma terceira. Todas as três ações foram instruídas na presença do juiz Edward Korman, um juiz da corte distrital do Brooklyn, que as apensou. Pelo menos uma parte do caso, o advogado baseado em Toronto Sergio Karas, deplorou essa tática. “A ação de classe não serviu para nada a não ser provocar a histeria da massa e afrontar a Suíça. Eles estão apenas perpetuando o mito a respeito dos advogados judeus que querem apenas dinheiro”. Paul Volcker se opôs às ações de classe porque elas “prejudicarão nosso trabalho, potencialmente para o propósito de ineficácia” – para a indústria do Holocausto uma preocupação irrelevante, se não um incentivo adicional.

A principal arma usada para quebrar a resistência suíça, porém, foi o boicote econômico. “Agora a batalha será mais suja”, Avraham Burg, com um assento na Agência Judaica e principal homem de Israel no caso dos bancos suíços, avisou em janeiro de 1997: “Até agora nós temos acreditado na pressão judaica internacional”. Já em 1996, o CMJ começou a maquinar o boicote. Bronfman e Singer contataram o controlador de Nova Iorque, Allan Hevesi (cujo pai tinha sido um proeminente da Agência Judaica), e controlador do Estado de Nova Iorque Carl McCall. Ambos investem bilhões de dólares em fundos de pensão. Hevesi também presidiu a Associação dos Controladores Americanos, que investiu $30 trilhões em fundos de pensão. Em janeiro, Singer delineou uma estratégia com o governador de Nova Iorque, George Pataki, bem como com D’Amato e Bronfman no casamento de sua filha. “Olha que tipo de homem eu sou”, o Rabbi meditou, “fazendo negócio no casamento de minha filha...”

Em fevereiro de 1996, Hevesi e Mc Call escreveram aos bancos suíços ameaçando sanções. Em outrubro, o Governador Pataki publicamente emprestou seu apoio. Durante alguns meses seguintes, o governo local e do Estado de Nova Iorque, Nova Jersey, Rhode Island e Illinois tomaram decisões ameaçando um boicote econômico a menos que os bancos suíços se confessassem. Em maio de 1997, a cidade de Los Angeles, retirou centenas de milhões de dólares em fundos de pensão de um banco suíço, impondo a primeira das sanções. Hevesi rapidamente acompanhou o processo com sanções em Nova Iorque. Califórnia, Massachussets, e Illinois se juntaram no espaço de dias.

“Eu quero $3 bilhões ou mais”, Bronfman declarou em dezembro de 1997, “em troca de terminar tudo, a ação de classe, o processo Volcker e o resto”. Neste ínterim, D’Amato e os bancos oficiais do Estado de Nova Iorque procuravam bloquear o novamente consolidado United Bank of Switzerland (uma fusão dos mais importantes bancos suíços) de operarem nos EUA. “Se a Suíça estiver blefando, então eu terei que pedir para todos os acionistas americanos suspender seus negócios com a Suíça”, Bronfman avisou em março de 1998. Está chegando o momento em que terão que resolver por si mesmo ou haverá guerra total”. Em abril, a Suíça começou a ceder diante dessa pressão, mas ainda resistiram a uma rendição abjeta (Por volta de 1997, a Suíça supunha-se ter gasto $500 milhões para defender-se dos ataques da indústria do Holocausto). “Há um virulento câncer por toda a sociedade suíça”, Melvyn Weiss, um dos advogados da ação de classe, lamentou. “Nós demos a eles uma oportunidade para eles libertarem-se dessa dose massiva de radiação a um custo pequeno, mas eles não deram importância”. Em junho, os bancos suíços produziram uma “oferta final” de $600 milhões. A ADL, encabeçada por Abraham Foxman, ficou chocada com a arrogância suíça, e não pôde conter sua raiva: “Esse ultimatum é um insulto à memória das vítimas, seus sobreviventes e àqueles que na comunidade judaica de boa fé estenderam a mão à Suíça para trabalharmos em conjunto e resolver seu mais difícil problema”.

Em julho de 1998, Hevesi e Mc Call ameaçaram com novas duras sanções.

Nova Jersey, Pennsylvania, Connecticut, Florida, Michigan e Califórnia juntaram-se em alguns dias. Em meados de agosto, a Suíça finalmente desmoronou. Em um acordo de ação de classe, mediado pelo juiz Korman, a Suíça concordou em pagar $ 1,25 bilhões. “O motivo do pagamento adicional“, em uma comunicação dos bancos suíços pode-se ler, “é para evitar um perigo de sanções adicionais a longos e custosos procedimentos”.

“Você tem sido um verdadeiro pioneiro nessa saga”, congratulou a D’Amato o Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netaniyahu. “O resultado não é apenas uma realização em termos materiais mas uma vitórias moral e um triunfo do espírito”.

O acordo de $1,25 bilhões com a Suíça cobriu basicamente três classes – requerentes das contas dormentes suíças, refugiados que tiveram asilo negado na Suíça, e vítimas de trabalhos forçados que a Suíça se beneficiou. Para todas as justas indignações a respeito da “perfídia suíça”, porém, os comparáveis registros americanos são, em todas esses aspectos, não apenas mal, porém pior.

Eu abordarei neste momento a questão das contas dormentes americanas. Como a Suíça, os EUA negaram entrada aos refugiados judeus que escapavam do nazismo antes e durante a IIª GM. O governo americano ainda não tinha visto desejo de compensar, digamos, refugiados judeus a bordo do navio sem destino no St Louis. Imagine a reação se centenas de refugiados haitianos e da América Central que tivessem o asilo negado depois de fugir dos esquadrões da morte patrocinados pelos EUA, procurasse compensação aqui. E, ainda que bem menor em tamanho e recursos pelos EUA, a Suíça admitiu tantos refugiados judeus quanto os EUA (aproximadamente 20.000) durante o holocausto nazista.

Políticos americanos reprovaram constantemente a Suíça e o único meio para expiar os pecados do passado seria provendo compensações materiais. Stuart Eizenstat, Subsecretário de Comércio e enviado especial de Clinton para restituição de propriedade, considerou a compensação suíça à judiaria “um importante teste de litmus4 da vontade dessa geração para encarar o passado e para retificar os erros do passado”. Embora eles não pudessem ser “seguramente responsabilizados pelo que tomou lugar anos atrás”, D’Amato reconheceu durante a mesma audiência no Senado que a Suíça ainda tinha “uma responsabilidade de fazer o que é certo na hora certa”. Endossando publicamente as demandas de compensações do CMJ, o presidente Clinton da mesma forma refletiu que “nós devemos enfrentar e, como melhor pudermos, acertar a terrível injustiça do passado”. A “História não teve um estatuto de limitações”, disse o presidente James Leach durante inquéritos do CBCB, e “o passado nunca deve ser esquecido”. “Isso deve ser feito de modo claro”, escreveu líderes bipartidários do Congresso em uma carta para o Secretário de Estado, que a “resposta desse negócio de restituição será vista como um teste de respeito aos direitos humanos básicos e domínio da lei”. E, em um recado ao parlamento suíço, a Secretária de Estado Madeleine Albright explicou que os benefícios econômicos acumulados para a Suíça das retidas contas judaicas “eram passadas adiante para as gerações subseqüentes e que o mundo agora olha para o povo da Suíça, não para assumir responsabilidade pelas atitudes tomadas pelos seus ascendentes, mas por serem generosos em fazer o que pôde ser feito nesse ponto para corrigir os erros do passado”. Todos os sentimentos nobres, mas em parte alguma pode ser ouvido – a menos que sejam ativamente ridicularizados – quando se trata da compensação para afro-americanos pela escravidão.

Não está claro como os “necessitados sobreviventes do Holocausto” se beneficiarão do acordo final. Gizella Weisshaus, a primeira reclamante de uma conta dormente suíça a entrar com uma ação demitiu seu advogado, Edward Fagan, amargamente, acusando que ele a usou. A conta de Fargan à corte totalizou $4 milhões em honorários. O total dos honorários reclamados ficou em torno de $15 milhões, com “muitas” contas com uma taxa de $ 600 por hora. Um advogado está pedindo $2.400 por ter lido o livro de Tom Bower, Nazi Gold. “Grupos judaicos e sobreviventes”, reportou o nova iorquino Jewish Week, “estão deitando e rolando à medida que competem entre si por uma parte dos $ 1,25 bilhões do acordo da era do Holocausto com os bancos suíços”. Queixosos e sobreviventes sustentam que todo o dinheiro deveria ir diretamente para eles. Organizações judaicas, porém, estão pedindo uma fatia da ação. Denunciando o engrandecimento das organizações judaicas, Greta Beer, uma testemunha chave do Congresso contra os bancos suíços, suplicou à corte do juiz Korman: “eu não quero ser esmagada como um pequeno inseto”. No tocante à solicitude para com os “necessitados sobreviventes do Holocausto”, o CMJ quer perto da metade do dinheiro suíço destinado às organizações judaicas e “educação do Holocausto”. O Simon Wiesenthal Center sustenta que se “respeitáveis” organizações judaicas recebem dinheiro, “uma porção deve ir aos centros educacionais judaicos”. À medida que eles colocam seus pontos de vista sobre uma maior porção do lote, organizações reformistas e ortodoxas, cada qual reclama que os 6 milhões de mortos teriam preferido seus ramos de judaísmo como beneficiários do dinheiro. A par desses fatos, a indústria do Holocausto forçara a Suíça a um acordo porque o tempo era a essência da alegação: “sobreviventes necessitados do Holocausto estão morrendo todos os dias”. Tendo a Suíça transferido o dinheiro por assinatura, porém, a urgência miraculosamente passou. Mais de um ano depois do acordo obtido, não houve qualquer plano de distribuição. Com o tempo, o dinheiro vai finalmente sendo desviado para todos os “necessitados sobreviventes do Holocausto” que estariam provavelmente mortos. De fato, em dezembro de 1999, menos da metade dos $ 200 milhões do “Fundo Especial para Vítimas Necessitadas do Holocausto” estabelecidos em fevereiro de 1997 tinham sido distribuídos para as vítimas atuais. Depois que os honorários advocatícios foram pagos, o dinheiro suíço então fluiria para os cofres das “respeitáveis” organizações judaicas.

“Nenhum acordo pode ser possivelmente defendido”, Burt Neuborne, um professor de direito da New York University e membro do grupo da ação de classe, escreveu no New York Times, “se isso permite ao Holocausto sustentar-se como uma empresa fazedora de lucros para os bancos suíços”. Edgar Bronfman, de forma comovente, declarou antes no Comitê Bancário da Casa Branca que a Suíça não devia “permitir fazer lucros das cinzas do Holocausto”. Por outro lado, Bronfman recentemente reconheceu que o tesouro do CMJ tinha acumulado nada menos do que “aproximadamente $7 bilhões” em compensações.

As confiáveis informações dos bancos suíços neste ínterim foram publicadas. Alguém pode agora julgar se de fato houve, como Bower reclama, uma “conspiração nazi-suíça de cinqüenta anos para roubar bilhões dos judeus europeus e dos sobreviventes do Holocausto”.

Em julho de 1998, a Comissão Independente (Bergier) de Experts publicou seu relato, Switzerland and Gold Transactions in the Second World War. A Comissão confirmou que os bancos suíços adquiriram ouro da Alemanha nazista, na importância de mais ou menos $ 4 bilhões em valores correntes, sabendo que o ouro tinha sido roubado dos bancos centrais da Europa ocupada. Durante os inquéritos no Capitol Hill, membros do Congresso expressaram choque por terem os bancos suíços traficado bens roubados e, mesmo coisa pior, terem ainda desejado estas práticas egrégias. Deplorando o fato que políticos corruptos depositassem seus ganhos conseguidos de forma ilegal nos bancos suíços, um congressista chamou a atenção da Suíça para dar um fim a “esse movimento secreto de dinheiro pelas.... pessoas de proeminência política ou lideranças, enfim, de gente saqueando seus cofres”. Lamentando o "número internacional de funcionários do governo de alto escalão e homens de negócio que têm encontrado um santuário para suas substanciais riquezas em bancos suíços", um outro congressista perguntou-se em voz alta se "o sistema bancário suíço é obsequioso a essa geração de criminosos e aos paises que eles representam, da... forma que o santuário foi entregue ao regime nazista 55 anos atrás?" Realmente o problema justifica a preocupação. Anualmente um incremento estimado de $ 100 - $ 200 bilhões de corrupção política é despachado pelas fronteiras do mundo inteiro e depositado em bancos privados. A reprimenda do Comitê Bancário do Congresso teria pesado ainda mais, porém, se a metade de seu "capital volátil ilegal" não fosse depositada em bancos americanos com a completa sanção da lei americana. Beneficiários recentes desse "santurário" legal americano incluem Raul Salinas de Gortari, o irmão do ex-presidente do México, e a família do ex-ditador nigeriano General Sani Abacha. "O ouro pilhado por Adolf Hitler e seus cúmplices", Jean Ziegler, um parlamentar suíço ferozmente crítico dos bancos suíços, observa que "não difere em essência do dinheiro sangrento" agora guardado nas contas privadas dos ditadores do Terceiro Mundo. "Milhões de homens, mulheres e crianças foram conduzidas à morte pelos autorizados bandidos de Hitler", e "centenas de milhares de crianças morrem anualmente de doença e desnutrição" no Terceiro Mundo porque os “ditadores espoliaram seus paises com a ajuda dos tubarões das finanças suíças”. E com a ajuda dos tubarões das finanças norte-americanas também. Isso sem contar o ponto mais importante que muitos desses tiranos foram instalados, mantidos e autorizados pelo poder dos EUA a espoliarem seus paises.

Na questão especifica do holocausto nazista, a Comissão Independente concluiu que os bancos suíços compraram "barras de ouro pilhadas por criminosos nazistas das vitimas dos campos de trabalho e de extermínio". Porém, eles não fizeram isso conscientemente: "não há evidências que os tomadores de decisões do Banco Central Suíço sabiam que as barras de ouro seriam transportadas da Suíça para o Reichsbank". A comissão arbitrou o valor do "ouro das vítimas" inconscientemente adquirido pela Suíça em $ 134.428 ou por volta de $ 1 milhão em valores correntes. Esse número inclui "ouro das vítimas" roubado dos judeus bem como de detentos não judeus do campo.

Em dezembro de 1999, o Independent (Volcker) Commitee of Eminent Persons publicou seu Report on Dormant Accounts of Victims of Nazi Persecution in Swiss Banks. A publicação conclui os achados de uma exaustiva auditoria que durou três anos e custou não menos que $ 500 milhões. Sua conclusão central no "tratamento de contas dormentes de vítimas da perseguição nazista" destaca a prolongada citação:

“Sobre vitimas da perseguição nazista não havia evidência de sistemática discriminação, obstrução de acesso, apropriação ou violação da lei suíça por retenção de documentos requeridos”. Porém, o Report também critica as ações de alguns bancos em seu tratamento das contas das vítimas de perseguição nazista. A palavra "alguns" na conclusão anterior precisa ser enfatizada, uma vez que as atitudes criticadas referem-se principalmente àqueles específicos bancos em seus manejos de contas individuais de vítimas da perseguição nazista no contexto de uma investigação de 254 bancos cobrindo um período de aproximadamente 60 anos. Para as atitudes criticadas, o Report também reconhece que houve circunstâncias atenuantes para a conduta dos bancos envolvidos nessas atividades. O Report admitiu, demais a mais, que há ampla evidência de muitos casos em que bancos ativamente procuraram detentores de contas desaparecidos ou seus herdeiros, incluindo vitimas do Holocausto, e pagaram saldos de contas dormentes para os mesmos.

O parágrafo conclui suavemente que "o Comitê acredita que as atitudes criticadas são de suficiente importância e que é desejável concluir nesta seção que o que fizeram deu errado, de forma que é melhor aprender com o passado do que repetir seus erros”.

O Report também achou que, embora o Comitê não pudesse capturar todos os registros bancários para o "Período Relevante" (1933-45), a destruição de registros sem pistas "seria difícil, se não impossível" e que "de fato, nenhuma evidência de sistemática destruição de registro de contas com o propósito de ocultar o comportamento do passado tinha sido encontrada". Isso conclui que a percentagem de registros recuperados (60 por cento) foi "verdadeiramente extraordinária" e "verdadeiramente notável", especialmente dado que a lei suíça não requer retenção de registros para mais de 10 anos.

Todavia, compare a tradução do New York Times dos achados do Volcker Committee. Sob uma manchete, "As Decepções dos Bancos Suíços", o Times reportou que o Committee não encontrou "nenhuma evidência conclusiva" de que os bancos suíços manobraram contas dormentes judaicas, apesar de o Report ter categoricamente declarado "nenhuma evidencia". O Times continua declarando que o Committee "achou que os bancos suíços tinham de algum modo conseguido perder vestígios de um chocante alto número dessas contas". O Report ainda descobriu que a Suíça preservou registros de um "verdadeiramente extraordinário", "verdadeiramente notável" número. Finalmente, o Times relata que, de acordo com o Committee, "muitos bancos tinham cruelmente e enganosamente mandado embora os familiares que tentavam recuperar depósitos perdidos". Em verdade, o Report enfatizou que somente "alguns" bancos comportaram-se mal e que houve "circunstâncias atenuantes" nestes casos, e isso também é apontado nos "muitos casos" em que bancos ativamente procuraram legítimos requerentes.

O Report criticou os bancos suíços por não terem sido "claros e honestos" em auditorias anteriores de contas dormentes da era do Holocausto. Apesar de tudo, parece creditar que os defeitos nessas auditorias devem-se mais a fatores técnicos do que malversação. O Report identifica 54.000 contas com uma "provável ou possível relação com as vitimas da perseguição nazista". Mas ele julga que apenas no caso de metade desse numero - 25.000 - era a probabilidade significantemente suficiente para garantir a publicação de nomes de contas. O valor corrente estimado de 10.000 dessas contas para as quais havia alguma informação disponível situava-se em cerca de $100-$260 milhões. Provou-se impossível estimar o valor corrente das contas restantes. O valor total das reais contas dormentes da era do Holocausto subiu provavelmente a muito mais que os $ 32 milhões originalmente estimados pelos bancos suíços, mas ainda caíra de forma incrível abaixo dos $ 7 - $ 20 bilhões reclamados pelo CMJ. Em testemunho subseqüente do Congresso, Volcker observou que o número de contas suíças "provavelmente ou possivelmente" relacionadas às vitimas do Holocausto era "muitas vezes maior do que as das anteriores investigações suíças".

Ele, porém, continuou: "eu enfatizo as palavras 'provavelmente ou possivelmente' porque, exceto em relativamente poucos casos, depois de mais de meio século, nós não estávamos aptos a identificar com certeza absoluta uma irrefutável relação entre vítimas e proprietários de contas".

O achado mais explosivo do Volcker Committee não chegou a ser reportado na mídia americana. Ao lado da Suíça, o Committee observa que os EUA foram também um porto-seguro para bens judaicos na Europa que pudessem ser transferidos.

A expectativa da guerra e da miséria, assim como a perseguição dos judeus e outras minorias pelos nazistas antes e durante a IIª GM, motivou, para muitas pessoas, incluindo as vitimas dessa perseguição, a mudança de seus bens para paises considerados “portos seguros” (é muito importante incluir os EUA e o Reino Unido)... Em vista das fronteiras da neutra Suíça com o Eixo e paises ocupados pelo Eixo, bancos suíços e outros intermediários financeiros suíços eram também recebedores de uma porção dos bens à procura de segurança.

Um importante apêndice lista os "destinatários favorecidos" de bens judaicos prontos a serem transferidos na Europa. As principais destinações declaradas foram para os EUA e Suíça (Grã Bretanha ficou com um fraco "terceiro lugar").

A questão óbvia é, o que aconteceu com as contas dormentes da era do Holocausto nos bancos americanos? O Comitê Bancário da Casa Branca fez chamar uma testemunha expert para depor sobre esse assunto. Seymor Rubin, atualmente um professor da American University, serviu como representante chefe da delegação americana nas negociações suíças depois da IIª GM. Debaixo dos auspícios das organizações judaicas americanas, Rubin também trabalhou durante os anos 50 com um "grupo de experts na vida comunitária judaica na Europa" para identificar contas dormentes da era do Holocausto em bancos dos EUA. Em seu testemunho no CBCB estabeleceu que, depois de uma mais que superficial e rudimentar auditoria somente de bancos de Nova Iorque, o valor dessas contas foi estimado em $6 milhões. Organizações judaicas solicitaram essa soma para "sobreviventes necessitados" do Congresso (contas dormentes abandonadas nos EUA são transferidas para o Estado em função de uma medida que prevê impossibilidade de utilização dos bens). Rubin então recordou:

A estimativa inicial de $ 6 milhões foi rejeitada pelos potenciais padrinhos congressistas da necessária legislação e um limite de $ 3 milhões foi usado no rascunho da legislação original... A seguir, o número de $ 3 milhões foi reduzido nas audiências do Comitê para $ 1 milhão. A ação legislativa mais além reduziu o montante para $ 500.000. Até que o montante foi contraposto pelo Departamento de Orçamento, que propôs um limite de $ 250.000. A legislação, porém, passou com os $ 500.000.

"Os EUA", concluiu Rabin, "aceitaram somente muito limitadas medidas para identificar a ausência de herdeiros dos bens nos EUA, e deixaram disponíveis... uma mera importância de $ 500.000 em contraste com os $ 32.000.000 reconhecidos pelos bancos suíços mesmo antes do inquérito de Volcker."

Em outras palavras, os registros dos EUA são muito piores do que os registros suíços. Isso ganha ênfase pois, não fosse uma fugaz advertência de Eizenstat, não haveria outra menção de contas dormentes americanas durante as audiências dos comitês do CBCB e do Senado devotados aos bancos suíços. Além disso, embora Rubin dispute um papel pivô nas muitas secundárias contas de relacionamento dos bancos suíços - Bower dedica grande quantidade de páginas para essa "cruzada no Departamento de Estado" – não houve nenhuma outra menção nas audiências do CBCB devotada aos bancos suíços. Durante a audiência no CBCB também expressou "uma certa porção de ceticismo com respeito à grande quantia [em contas dormentes suíças] a respeito das quais se fala ". Desnecessário dizer que o preciso discernimento de Rubin nessa matéria foi também estudiosamente ignorado.

Onde estava a cor e o choro de perfídia do Congresso para os banqueiros americanos? Um membro após o outro dos comitês do Senado e da Casa Branca vociferava para que a Suíça "finalmente pagasse". Ninguém, porém, pediu aos EUA que fizessem isso. Antes, um membro sem vergonha do CBCB calculou - com a concordância de Bronfman - que "somente a Suíça 'tinha falhado em mostrar a coragem para confrontar-se com sua própria história'. Como era de se esperar, a industria do Holocausto não lançou uma campanha para investigar os bancos americanos. Uma auditoria de nossos bancos na escala da auditoria suíça custaria aos contribuintes norte-americanos não milhões, mas bilhões de dólares. Quando ela terminasse, os judeus americanos estariam procurando asilo em Munique. Há um limite para a coragem.

Já no final da década de 40, quando os EUA estavam pressionando a Suíça para identificar contas dormentes judaicas, a Suíça protestou que os americanos deveriam primeiro atender às demandas de seu próprio quintal. Em meados de 1997, o Governador de Nova Iorque, Pataki, anunciou a criação de uma comissão do Estado na recuperação dos bens das vitimas do Holocausto contra bancos suíços. Não impressionada, a Suíça sugeriu que a comissão deveria mais proveitosamente processar os requerimentos contra os bancos americanos e de Israel. De fato, Bower recorda que os banqueiros de Israel tinham "recusado liberar as listas de contas dormentes de judeus" depois da guerra de 1948, e recentemente sobre isso tinha sido noticiado que "diferente dos paises na Europa, os bancos de Israel e organizações sionistas estão resistindo à pressão para montar comissões independentes para estabelecer quantos bens e quantas contas dormentes foram guardadas dos sobreviventes do Holocausto, e quantos proprietários podem ser localizados" (Financial Times). (Judeus Europeus compraram pedaços de terra e contas bancárias abertas na Palestina durante o Mandato Britânico para apoiar a empresa sionista ou prepará-los para futura imigração). Em outubro de 1998, o CMJ e WJRO "chegaram a uma decisão em principio para privar-se do acordo sobre o assunto de bens em Israel das vítimas do Holocausto no solo cuja responsabilidade para isso era do governo de Israel" (Haaretz). A lei para essas organizações judaicas, desta forma, funciona para a Suíça, mas não para o Estado judeu. A mais sensacional acusação levada contra os bancos suíços era que eles requisitaram certidões de óbito dos herdeiros das vítimas do holocausto nazista. Os bancos israelenses também pediram tal documentação. Alguns procuram em vão, porém, por denúncias dos “perfídios israelenses”. Para demonstrar isso “nenhuma equivalência moral pode ser desenhada entre os bancos em Israel e na Suíça”, o New York Times citou um antigo legislador israelense: “Aqui houve negligência na melhor das hipóteses, na Suíça foi um crime.” Comentários são supérfluos.

Em maio de 1998, uma comissão presidencial de bens do Holocausto nos EUA foi cobrada pelo Congresso para “conduzir pesquisa original sobre o destino dos bens tomados das vítimas do Holocausto que foram para os cofres do governo federal dos EUA” e “avisar ao presidente as políticas que devem ser adotadas para restituir todos os direitos dos proprietários de bens roubados de seus herdeiros”. “O trabalho da comissão demonstra irrefutavelmente”, declarou o presidente da Comissão, “que nós dos EUA estamos desejando nos sustentar através do mesmo alto padrão de verdade em relação aos bens do Holocausto que nós guardamos de outras nações”. Até uma consultiva comissão presidencial, com um orçamento total de $ 6 milhões, é particularmente diferente de uma compreensiva auditoria externa de $ 500 milhões de um sistema bancário inteiro de uma nação com acesso livre para todos os registros do banco. Para dissipar quaisquer dúvidas hesitantes da linha de frente americana nos esforços para restaurar os bens judaicos roubados da era do Holocausto, James Leach, presidente da Assembléia do CBCB, orgulhosamente anunciou em fevereiro de 2000 que um museu do Norte da Carolina tinha devolvido uma pintura para uma família austríaca. “Isso diminui a contabilidade dos EUA e eu penso que é algo que esse comitê tem obrigação de salientar”.

Para a indústria do Holocausto, o incidente dos bancos suíços – como os tormentos do pós-guerra suportados pelo “sobrevivente” do Holocausto suíço Binjamin Wikomirski – apesar disso, foi promovido como prova de uma irradicável e irracional malícia gentia. O incidente evidencia acima a grande insensibilidade de mesmo um “país liberal-democrático europeu”, conclui Itamar Levin, para com “aqueles que carregaram a cicatriz física e emocional do pior crime na história”. Em abril de 1997, um estudo da Universidade de Tel Aviv relatou “um aumento sem margem de erro” no anti-semitismo suíço. Contudo, essa sinistra evolução não podia ser possivelmente vinculada à extorsão da indústria do Holocausto na Suíça. “Judeus não fazem anti-semitismo”, choramingou Bronfman. “Anti-semitismo produz anti-semitismo”.

Compensações materiais para o Holocausto “são o maior teste moral que a Europa enfrenta no final do século XX”, sustenta Itamar Levin. “Isso será o teste real do tratamento do continente aos judeus”. De fato, a incorporação desse sucesso em extorquir a Suíça, a indústria do Holocausto moveu-se rapidamente para testar o resto da Europa. A próxima parada seria a Alemanha...

Notas:

1 – Investigação a que Clinton foi submetido em relação a operações comerciais de que ele teria participado com sua mulher, Hillary.

2 – Pressões bipartidárias provavelmente referem-se aos dois grandes partidos norte-americanos: democrata e republicano.

3 – Uma corte caracterizada por desonestidade ou incompetência.

4 – Um teste que usa um único indicador para incentivar uma decisão.
(*) Norman Finkelstein, professor de Relações Internacionais da Universidade de Nova Iorque, judeu, esquerdista e indignado com a chamada Indústria do Holocausto. O texto em questão é uma reprodução fiel de excertos do livro “The Holocaust Industry”, relatando como o lobby judaico conseguiu articular-se para extorquir os bancos suíços. A íntegra do livro pode ser encontrada em: http://www.normanfinkelstein.com/

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